RUMORES NO BOSQUE

[Peça instrumental para crianças de 10 -11anos]

FrançoisMorgenthaler

Instrumentos:

13 Pequenos tambores madeira (cf.foto em seguida) (descrição do instrumento: lâminas de madeira, de tamanho diferente, coladas em redor de uma base octogonal; se toca com uma baqueta virando o instrumento sobre seu eixo, ou colocando uma bolinha ou outro objeto dentro do instrumento e fazendo-os virar e percutir as lâminas por dentro)

4 wood-blocs

8 pares de claves

Acessórios:

-14 bolinhas de ping-pong (ao mínimo uma para tambor de madeira).

-13 baquetas moles (feltro, lã) para os tambores de madeira.

-04 baquetas duras para os wood-blocs.

NOTA: Na partitura os instrumentos são identificados com letras e números.

Números de intérpretes:

Total 25. Cada intérprete toca apenas um instrumento.

AS PARTITURAS DOS INTÉRPRETES:

São 20 partituras ao todo: uma para cada intérprete (exceto as 2 partituras para tambor de madeira que são dividas com 2 outros intérpretes e uma partitura para claves que pode ser interpretada por 3 outros intérpretes).

Cada partitura é composta de 4 "casas". Cada "casa" representa uma produção musical. A ordem de passagem de uma "casa" para outra é determinada pelos números de 1 a 4.

Quando várias indicações figuram numa mesma "casa", o intérprete toca os sinais, linha após linha (separadas pelas linhas pontilhadas horizontais).

SINAIS UTILIZADOS

Os sinais estão marcados sobre as lâminas do tambor de madeira. 1 sinal diferente para cada lâmina.

Sinal indicando uma percussão no tambor, com um wood-bloc ou clave.

Os sinais enquadrados devem ser interpretados o mais rápido possível e de maneira regular.

Um número colocado ao lado do sinal corresponde à quantidade de repetições do sinal (devem ser regulares).

Os tempos de silêncio são sons indicados:

    -ou em segundo
    -ou em número de "tempos" (corresponde ao "tempo" que o intérprete tinha antes do silêncio).

Tocar 9 vezes em 7 segundos.

Alternativamente f e p

sucessivamente mp,mf e f

Fazer rodar a bolinha de ping-pong dentro do tambor de madeira.

Efetuar sobre as lâminas interiores do tambor movimentos de vai-e vem com a "cabeça" da baqueta.

Deixar cair a bolinha de ping-pong dentro do tambor e deixar pular.

Deixar cair a bolinha de ping-pong em cima da outra e deixar pular.

A PARTITURA DA ORQUESTRA DESENVOLVIMENTO MUSICAL:

A partitura é dividida em 6 partes sucessivas:

A Deixar pular as bolinhas de ping-pong dentro do tambor.

B*Entradas sucessivas de 8 intérpretes em intervalos de 12-20 segundos (decisões individuais de cada intérprete). Cada intérprete toca inteiramente a sua partitura. Logo que um intérprete de tambor acabar, ele deixa cair uma bolinha de ping-pong dentro do seu instrumento, deixando-a pular e fazendo lentamente girar a bolinha contra as lâminas interiores.

C Não se deve escutar nada, salvo o "canto" das bolinhas de ping-pong. Neste momento preciso, os outros intérpretes de tambores que ainda não tocaram, deixam cair suas bolinhas de ping-pong (isto deve acontecer em uníssono). Após deixar pular as bolinhas, todos colocam as bolinhas dentro dos instrumentos, variando a velocidade e intensidade a cada 2 segundos. NOTA: Escolher 1 intérprete para dar a entrada e determinar seu gesto de entrada.

D *Intervenção em solo do intérprete número 9. Logo que o intérprete começar o "canto" das bolinhas deve parar.

E Ao terminar o solo, os intérpretes 10 a 19 podem entrar (a ordem das entrada é livre). Os intérpretes devem respeitar as recomendações seguintes: logo após o primeiro som, os tambores devem entrar em menos de 15segundos, as claves em menos de 60 segundos. Cada intérprete toca inteiramente a sua partitura.

F 20, segundos depois do início da parte E , os intérpretes 1 a 9 executam, nesta mesma parte, percussões sincronizadas em uníssono dirigidos pelo "chefe" da sessão. Os tambores começam, os wood- blocs e claves seguem 10 segundos mais tarde.

NOTA: Escolher 2 intérpretes para dar a entrada e determinar os gestos de entrada.

*IMPORTANTE: A ordem das entradas dos 9 primeiros intérpretes deve ser determinada por um procedimento do acaso. Para os outros intérpretes, ordem de entrada é livre.

A música termina tão logo o silêncio se instalar.

DURAÇÃO: Mais ou menos 5-6 minutos.

DISPOSIÇÃO CÊNICA:

A música pode ser interpretada:

    -Numa sala com muito pouca ressonância.
    -Num ambiente natural (floresta, a beira d' água, campos, etc...) propício a uma situação calma.

É muito importante que cada criança conheça de cor sua partitura e não a transforme em um tipo decálculo mental.

Todo movimento corporal deve ser feito em docilidade e sem precipitação. Evitar se mover inutilmente.













 

Músicas para Piano

Repertório Brasileiro

Seção coordenada por Ruth Serrão

A finalidade desta seção é apresentar material de nível iniciante a nível médio, incluindo peças inéditas ou pouco conhecidas.

A riqueza do repertório brasileiro é inegável. Inegável também é, a precariedade na distribuição e divulgação deste material e nosso comodismo como professores em usar aquela mesma pecinha "só mais uma vez".

Apresentamos nesse número músicas de H.J.Koellreutter e de seus discípulos Guerra-Peixe, Edino Krieger e Tato Taborda. As obras aqui revistas passaram por uma seleção, tendo por critério tanto a qualidade artística quanto o valor didático.

"Quase Nada", deTato Taborda

Uma miniatura de 16 compassos, paralelo ao nível do Mikrokosmos vol.1 de Bartók, Quase Nada tem como objetivo principal a percepção auditiva de ressonância. A peça se desenvolve na parte aguda do piano com algumas notas graves e a dinâmica varia entre P e PPP (um forte no compasso 12). As mudanças de compasso dão um caráter livre ao ritmo. Toda envolvida em pedal, Quase Nada trabalha o controle de sonoridade e apulsação. Os efeitos sonoros são surpreendentes e certamente fará sucesso entre a meninada.

"Os 3 peraltas", de Edino Krieger

Composta em 1962 e publicada por L.K. Produções Artísticas (RJ, 1983), é uma valsa no estilo de rancheira gaúcha para piano a 6 mãos. Em forma ABA, na tonalidade de Lá menor, esta peça apresenta níveis variados de dificuldades entre o primo, o secondo e o terzo, facilitando a escolha dos pianistas e incentivando o aluno iniciante a participar de um conjunto com alunos mais desenvolvidos técnica e musicalmente. O resultado é excelente.

Primo-A melodia está no primo e sempre com o dobramento em oitavas. A parte A tem uma melodia simples em mínimas pontuadas e semínimas e a parte B é acrescida de colcheias. A passagem mais difícil da música está na parte B do primo nos compassos 21, 22, 23 e 29, exigindo um bom dedilhado e alguma experiência com escalas em movimento direto ou paralelo. Secondo - Apesar de não apresentar grandes dificuldades técnicas, exige uma boa coordenação motora e bom ritmo, o andamento e a harmonia na mão esquerda, enquanto faz uma contra-melodia em colcheias na mão direita.

Terzo - A parte mais simples deste pequeno grupo de pianistas, o terzo é todo em mínimas pontuadas com algumas semínimas, sempre alternando as mãos.

As repetições do A, B e volta ao A ficam a critério dos pianistas.

Fácil de trabalhar o conjunto, esta peça é sucesso garantido nos recitais.

"Minúsculas (I-II -III -IV -V-VI )", de César Guerra-Peixe

Examinando o catálogo de obras de Guerra-Peixe verificamos que o ano de 198l foi dedicado exclusivamente a composições de caráter didático. Entre Fevereiro e Março compôs 5 Minúsculas para piano; em Maio 6 Breves para violão e Minúsculas VI para piano; em Novembro a Suíte em 2 flautas com 5movimentos para o "Método de Flauta", de Celso Woltzenlogel.

Cada uma das 6 Minúsculas e 6 Breves são pequenas suítes em 3movimentos, apresentando considerável variedade de estilos e dificuldades. As minúsculas foram publicadas por irmãos Vitale Editores (SP) - Edição Opus(1981) e contam com dedilhado acurado de Heitor Alimonda

Variando entre 12 e 20 compassos, estas miniaturas exigem facilidade técnica e compreensão musical equivalentes de nível médio às peças do Álbum para a Juventude, de R.Schumann ou do Mikrokosmos III, de B. Barlók.

Minúsculas I: l) Introdução, 2) Dramático, 3)Marchando são as mais difíceis do grupo. Tanto a lntrodução como Marchando, exigem independência na execução do movimento de vozes ligadas. Dramático é um estudo com contrastes de dinâmica, mudança de clave e mudança de compasso (3/4 enfatiza o dramático, 4/4 relaxa a tensão). O uso do pedal fica a critério do professor.

Minúsculas II : l) Caminhando, 2) Cantiga, 3) No Estilo Carioca. Caminhando tem tema em notas repetidas na m.d. e acordes batidos na m.e..Cantiga em adágio começa em forma de cânone e termina com a melodia em dobramento de oitava. Os compassos apresentam em cânone as dificuldades de coordenação motora na imitação das vozes. No estilo Carioca é uma peça de efeito e relativamente fácil. Uma melodia simples em colcheias é acompanhada por terças cromáticas descendentes também em colcheias.

Minúsculas III: 1) Fanfarra, 2) Valseado, 3) Indiozinho Carnavalesco. Fanfarra trabalha intervalos melódicos e harmônicos de quartas e terças na m.d. e quintas e quartas na m.e.. Valseado é uma peça singela em tempo de valsa lenta. Os compassos 15 e 16 têm terças dobradas com acidentes, mas a indicação poco meno ajuda na realização da peça. Indiozinho Carnavalesco é allegro com colcheia sem staccato. A peça começa P e tem um crescendo gradativo, terminando em ff. "A melodia imita a dos caboclinhos do Recife" (notado autor).

Minúsculas IV : 1) Prelúdio, 2)Contrastes, 3) Caipira.A mais simples da série, o Prelúdio apresenta o tema com dobramento no agudo e no grave e com acompanhamento de sextas na repetição. Contrastes tem uma linha melódica em legato e P, seguida de um interlúdio em quintas simultâneas e retornando ao tema modificado. Caipira começa com uma introdução de 4 compassos com intervalos harmônicos e antecipação do tema. O acompanhamento em estilo da m.e. é em colcheias "Wulking bass". A coda repete a introdução.

Minúsculas V : l) Canto Negro, 2) Coral, 3) Mãos Cruzadas. Canto Negro se desenvolve partindo de um motivo de 3 notas que se repetem por toda peça. Em andamento presto, o motivo é enriquecido por variações rítmicas, harmônicas e de dinâmica. O Coral a 4 vozes tem pedal de tônica e a melodia se desenvolve nas vozes interiores. Mãos Cruzadas é um bom estudo de mãos alternadas, sobre a m.d. e m.e.cruzando vice-versa, apresentado com clareza e de fácil execução.

Minúsculas VI : l) Barroquinho, 2) Noturno, 3) Lembrando Bartók são representativas de 3 épocas de estilos distintos. Guerra-Peixe estilizou os principais traços, unificando-os através de sua linguagem pessoal. Barroquinho é uma pequena invenção a 2 vozes. O Noturno, nostálgico e envolvido em pedais, tem caráter romântico. Lembrando Bartók retrata a linguagem contemporânea do início do século.

"Tanka V ",de H.J.Koellreutter

Para os alunos curiosos e iniciantes em música contemporânea, Tanka V será uma aventura no mundo dos sons. Ela é a terceira das "Três Peças para Piano", de Koellreutter. A primeira peça da série é de 1945, a segunda de 1965 e Tanka V de 1911. Foram publicadas por irmãos Vitale Editores. em 1978.

Tanka é uma forma literária poética japonesa em 2 partes. A primeira parte ou Kami-no-ku tem a forma de 7,5 e 7 sílabas. A segunda parte ou Shinn-no-ku 7 mais 7 ou seja, 2 vezes T sílabas. TankaV é uma peça tecnicamente fácil, que exige do pianista desenvoltura e controle tanto, gestual como rítmico, precisão e concentração.

A peça tem ritmo livre pulsativo, sem indicação de compasso. A pulsação da semínima a 52 no metrômetro é vital para a fluência do movimento sonoro, exigindo ritmo acurado no ataque das notas e no silêncio das pausas. A articulação do espaço sonoro apresenta diversas dimensões: o som natural do piano, harmônicos e uma voz que surge inesperadamente longe do piano. Cada frase musical de Tanka V é baseada na escala cromática, sendo que algumas frases usam 12 notas. Escrita na clave de Fá,a peça se desenvolve na região grave do piano e a nota mais aguda é o Mi central, que aparece sempre como harmônico (abaixar a tecla sem soar).

Cada frase musical termina com a voz grave, a 2ª com a voz média e a 3ª com uma fermata-suspense. Na 2ª parte a primeira frase tem uma série de clusters, aqui em acordes cromáticos, num grande crescendo de dinâmica e número de notas: aparece então a voz no registro médio. A 2ª frase repete o acorde inicial 7 vezes em forte (ou fortíssimo) terminando a peça com uma 5ª no agudo em mezzo forte.

A combinação dos diversos elementos sonoros aliados a riqueza de timbres resultantes dos contrastes de dinâmica e altura dos sons, entrecortados por momentos surpreendentes de silêncio, tornam Tanka V uma introdução à linguagem pianística contemporânea.

Endereços úteis:

Irmãos Vitale Eds. (Sr. T. Verna): Rua Pássaros e Flores 141 / 04.704-000 -SP/SP -Tel. (0ll) .536.3033

L.K.Produções Artísticas: Rua Almirante Tamandaré 66/1202 /22.220-060 - RJ/RJ Tel. (021) 225.8480

Peça sempre 2 cópias, uma para o professor e outra para o aluno. (Não fazendo fotocópias de música editada estamos protegendo os compositores e incentivando as editoras a publicar!)

Agradecimentos: Tato Taborda pela composição feita especialmente para este número de Cadernos de Estudo: Eclucação Musical; Antônio Guerreiro e Vânia Dantas Leite pelas sugestões...


Ruth Serrão, pianista e professora, é Mestre em Piano pelo Wisconsín Conservatory (EUA). Professora do Curso de Graduação do Conservatório Brasileiro de Música e da UNIRIO (substituta), é fundadora da "Encontrarte", centro cultural e escola de arte e música em Vassouras (RJ).Publicou já vários artigos sobre música brasileira no Brasil e Estados Unidos, tendo se apresentado nas principais salas de concerto, rádio e TV destes países como recitalista, camerista e solistade orquestra. Realizou diversas gravações pela FUNARTE e pela Rio Arte (RJ).

 

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