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H.J.KOELLREUTTER: MUSICA E EDUCAÇAO EM MOVIMENTO
Carlos Kater
Compositor, regente, pensador, Koellreutter dedicou-se sobretudo à educação, no sentido amplo do termo, e à função social do músico na realidade. Como bem sabemos, ele é responsável pela iniciação e formação artístico-musical de nomes já indiscutivelmente ilustres e consagrados do meio musical brasileiro. A intensidade, envergadura e regularidade de sua trajetória enquanto pedagogo podem lhe conferir o título de "Professor de Música do Brasil".
Desde sua chegada, em Novembro de 1931, no Rio de Janeiro, Koellreutter deu início a um grande e diverso número de iniciativas, que incluíram recitais, palestras, cursos, criação de escolas, publicações, etc.. Esse conjunto de ações dinamizou o ambiente da época-notadamente Rio de Janeiro e São Paulo, embora não apenas-,disseminando novas perspectivas para a música e músicos e gerando assim um autêntico movimento cultural. Embora de formato nitidamente diferente, pelo porte imaginado e sobretudo pela intenção original, sua empresa é comparável à de Villa-Lobos e suas "Excursões Artísticas".
Estes dois personagens do cenário musical brasileiro podem ser compreendidos numa ótica muito mais próxima do que habitualmente são considerados.
Sabemos bem que Villa-Lobos não foi precisamente um educador ou pedagogo, no sentido rigoroso dado ao termo. Sua contribuição criativa foi sem dúvida imensa na área, mas o aporte e alento trazido deu-se fundamentalmente na dinamização do fazer e na direcionalidade das realizações, antes do que na elaboração metódica de ferramentas e desenvolvimento de estudo e pesquisa dos processos típicos de ensino/aprendizagem.
Nesse sentido ele pode ser definido mais propriamente enquanto animador musical, que trouxe para o coletivo sua potencialidade inventiva, juntamente com uma capacidade ímpar de aglutinar músicos, artistas e professores em torno de suas idéias e projetos.
Koellreutter foi diferente e fez a mesma coisa. Criou no Brasil o movimento musical "MúsicaViva", gerando dinâmica cultural própria e intensa. Eu me permitira aqui chamara atenção rapidamente sobre a distinção que há, a meu ver, entre o movimento musical e o grupo de composição "Música Viva" e a consciência pessoal de vivificar a música que progressivamente se instala e amadurece ao longo do percurso de Koellreutter. De fato, na origem do Música Viva brasileiro e no perfil de suas atividades encontra-se o movimento de mesmo nome criado pelo grande mestre de Koellreutter, o regente Hermann Scherchen. Entretanto, as particularidades e inovações do que foi produzido no Brasil -desde a instalação da segunda fase da modernidade musical brasileira- tem a marca inconfundível de alguém que exteriorizou a compreensão de si e do mundo, que procurou sempre o debate de idéias e buscou contribuir para a ampliação das fronteiras do conhecido. Em atenção justamente a isso, cada um de seus textos aqui publicados é seguido de um comentário-contraponto produzido por um estudioso da área.
Os escritos originais de Koellreutter são testemunhas parciais desse esforço sistemático de apreender um sentido mais autêntico e atual de uma realidade sempre "nova", refletindo as duas frentes de ação que aplicou à música: por um lado modificar as coisas do mundo, por outro transformar a visão desse mesmo mundo. Assim -nada mais normal do que dedicar-se deliberadamente aos “jovens” (pois "a eles pertence o futuro e são eles que construirão o novo mundo"), às causas mais em avanço no presente, capazes de representar o novo necessário, os índices do futuro A presença dominante do passado no contemporâneo, pela inércia de conquistas e posturas, foi por ele criticada praticamente ao longo de toda a sua vida. " O risco, o experimento, a negação das regras inveteradas e caducas são elementos essenciais da atividade artística. O passado é um meio e um recurso, de maneira nenhuma um dever. O futuro, porém, é", como ele claramente coloca ao final do texto “O ensino da música num mundo modificado”.
As causas que apresentou e persistentemente defendeu foram também grandes na dimensão mesmo do país que adotou e em particular, na proporção dos problemas levantados: coerentemente com sua época, ele atendeu mas não se restringiu ao indivíduo; visou o coletivo, o social, enfim, a humanidade. Enquanto o "artista-músico" do tempo recém-passado ainda servia à Igreja, à Glória de Deus e às veleidades da sala de concerto, da auto suficiência, da vaidade e do egocentrismo -como ele coloca nos textos mais adiante suas propostas buscam re-situar o músico e seu trabalho numa sociedade em constante movimento, alargando perspectivas e campo funcional, de maneira a participar efetivamente da construção de seu tempo e a melhor servir ao humano.
Koellreutter é assim um animador musical igualmente. Que não se considere porém isto tarefa simples, fácil ou pequena. Dar vida e alma ("anima") a uma ou mais gerações é fruto de um trabalho alimentado por competência e convicção. Os resultados do movimento que reproduziu podem ser facilmente verificado sem nossa realidade atual. No entanto, sua organização no tempo -proposta na cronologia sintética que se segue- pode auxiliar a que tenhamos uma mais apurada visão.
Com isso espero também que os textos aqui reunidos recuperem para cada leitor a força e a riqueza que os pensamentos neles contidos provocaram nos ouvintes, alunos e colegas, a todos aqueles enfim que tiveram o privilégio de co-habitar espaços de consciência com esse "músico criador", orquestrador e regente de um dinâmico ambiente para a música e a educação de nossa época.
Cronologia de H.J.KOELLREUTTER e de fatos relevantes do movimento Música Viva
1915 - 02 de Setembro: nasce em Freiburg/Alemanha, Hans-Joachim Koellreutter.
l9l8 -Falece sua mãe, Emma Maria Koellreutter.
1923/24 -Seupai, o médico Wilheim Heinrich Koellreutter, casa-se pela segunda vez. Koellreutter terá sérios problemas de convivência e relacionamento com sua madrasta,e a seguir com a família, que culminarão com o rompimento total, quando parte para Berlim.
1926/34 -Em Karlsruhe -cidade próxima a Freiburg-, realiza seu "Humanistisches Gymnasium" (curso equivalente ao segundo grau).
1934/36 -Transferindo-se para Berlim, realiza o curso de flauta, composição e direção de coro na "Staatliche Akademische Hochschule für Musik". Foi aluno de Gustav Scheck (flauta), C. A. Martienssen (piano), Georg Schuenemanne Max Seiffert (musicologia) e Kurt Thomas (composição e regência coral);
. freqüenta os cursos e conferências sobre composição moderna, ministrados por Paul Hindemith, na "Volkshochschule", Berlim.
1935 -Funda, nessa mesma cidade, o "Arbeitskreis fuer Neue Musik" ("Círculo de Música Nova"), junto com Dietrich Erdmann, UIrich Sommerlattee Erich Thabe, entre outros; (iniciativa também de reação contra a política cultural nazista);
. apresenta-se como flautista pela primeira vez em recitais, na cidade de Paris.
1936 -Participa da fundação do "Cercle de Musique Contemporaine",junto com Franck Martin e outros. em Genebra.
1936131 -Expulso da "Staatliclte Akadentische Hochschule für Musik", conclui seus estudos no "Conservatoire de Musíque", de Genebra, onde estudou com Marcel Moyse (flauta). Foi aluno, em cursos extra-curriculares, do famoso regente Hermann Scherchen (direção de orquestra) em Neuchatel, Genebra e Budapeste;
realiza turnês por vários países da Europa (Alemanha, Suíça, França, Bélgica, Suécia, Dinamarca, Noruega, Holanda, Itália, Polônia, Tchecoslováquia, entre outros). Toca com o pianista e compositor francês Darius Milhaud.
1937 -Estréia sua versão da Arte da Fuga, de J. S. Bach , para flauta, violino, viola e violoncelo em Berlim:
. 16 de Novembro: chega no Rio de Janeiro, abordo do navio Augustus.
1938 -Realiza seu primeiro recital no Brasil, no Conservatório Mineiro de Música, em Belo Horizonte (atual Escola de Música da UFMG), ministrando nessa mesma instituição um curso de interpretação musical;
introduzido por Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, começa a freqüentar a loja de música Pinguim, na Rua do Ouvidor (Rio de Janeiro), onde trava contatos com alguns dos mais significativos representantes da vida musical carioca (Otávio Bevilácqua, Andrade Muricy, Brasílio Itiberê, Luis Cosme, Egydio de Castro e Silva e o próprio Luiz Heitor, entre outros): início das articulações de criação do movimento Música Viva;
turnês pelo norte do país -no âmbito da [Author ID1: at Mon Aug 18 20:17:00 2008
]"Instrução Artística do Brasil"-, junto com
o pianista Egydio de Castro e Silva. Mais tarde, como solista, realiza turnês pela Argentina e Uruguai:
trava contato, no Rio de Janeiro, com Theodor Heuberger (proprietário da Casa e Jardim e presidente da Pró-Arte, que existia em São Paulo. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre), que o convida para realizar concertos em 1938, 39 e 40:
começa a lecionar no renomado Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro, dirigido pelo compositor Oscar Lorenzo Fernandez.
1939 -Trabalha (como gravador) durante todo este ano numa tipografia, no Rio de Janeiro, que prestava serviços para as Edições Arthur Napoleão (sendo posteriormente transferido para a Magione, em São Paulo);
. estuda saxofone, durante um ano e meio aproximadamente, com Luiz Americano, no Rio de Janeiro:
. começa a tocar às noites flauta e saxofone no restaurante Danúbio Azul, na Lapa (Rio de Janeiro);
. afora as aulas de flauta e matérias teóricas (harmonia, contraponto, composição, teoria geral) que ministra no Conservatório Brasileiro de Música, começa a lecionar particularmente de forma intensa;
11 de Junho: primeira Audição Música Viva, marcando o início concreto das atividades do movimento:
. 17 de Setembro: “Primeiro Concerto Música Viva”.
1940 - Começa a dar aulas de composição para Cláudio Santoro, que se inicia rapidamente na técnica dodecafônica (uma vez que sua.Sinfonia para Duas Orquestras de Cordas continha já, na origem passagens organizadas serialmente);
Maio: é lançado, no Rio de Janeiro, o primeiro exemplar do boletim "Música Viva". órgão oficial do grupo. Música Viva transforma-se então numa sociedade, sendo H.J.Koellreutter seu vice-presidente e tesoureiro [Cf., Revista MúsicaViva, Nº1, 1940,p.7];
compõe sua primeira peça rigorosamente dodecafônica,-primeira e única, aliás-, Invenção publicada após como suplemento do boletim Música Viva nº6, Nov/40;
Intensificação das atividades musicais do movimento;
em decorrência da venda da "Arthur Napoleão" para as "Edições Mangione", Koellreutter transfere-se para São Paulo, onde trabalha para a editora como gravador de música;
desde aqui realizará viagens quinzenais praticamente constantes entre as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, principais pólos culturais do país na época.
1941 -Problemas de saúde, conseqüentes do manuseio constante de chumbo imposto pelo trabalho de gravador, deixam-no inativo durante 2 a 3 meses. Nesse período, em São Paulo, será regularmente visitado por seu melhor amigo de então, o compositor nacionalista paulista Camargo Guarnieri (divergências estéticas e ideológicas acirradas o tornarão em 1950, o detonador público oficial das críticas veementes de seu trabalho como compositor e, em especial,como "professor de jovens músicos brasileiros");
com o quadro de saúde se agravando devido à intoxicação de chumbo, Heuberger o convida para se instalar em Itatiaia durante um mês, a fim de recuperar-se (compõe aí sua peça atonal-dodecafônica Música 1941, para piano solo);
é lançado o boletim Música Viva n° 10/11 (Rio de Janeiro: Abril/Maio, com 16 páginas), que encerra a primeira fase dessa série de publicações (retomada, com outro formato e política editorial, apenas em 1946);
. trabalha na galeria de arte, que Heuberger mantinha na sobreloja do prédio da Casa e Jardim, na Rua Barão de Itapetinga em São Paulo;
.começa a lecionar Contra ponto e Composição no Instituto Musical de São Paulo;
. por volta de meados/fins desse ano, Santoro deixa de ser seu aluno, tornando-se seu colega no movimento Música Viva; será com a participação de Santoro que se operará uma grande transformação posterior do grupo.
1942 -Designado "Chefe de Publicações Musicais" do Instituto Interamericano de Musicologia, dirigindo a Editorial Cooperativa Interamericana de Compositores (E. C. I.C.) e também Chefe de Redação da revista Música Viva -órgão oficial da ECIC; a Convite e sob a direção geral de Francisco Curt Lange [Cf. boletim Música Viva n° 1, Montevidéu, Agosto 1942, pp.10-11] (da associação entre Koellreutter e Curt Lange, em tumultuado período, resultou apenas um número dessa revista Música Viva);
com a entrada do Brasil na II Grande Guerra, fica detido durante aproximadamente l5 dias, acusado de ser nazista. Tal suspeita funda-se no fato de um alemão estar recebendo dinheiro proveniente do estrangeiro -enviado por Francisco Curt Lange, também alemão, radicado no Uruguai, e que era o diretor das associações acima mencionadas-, fruto de seu trabalho enquanto delegado aqui no Brasil;
permanece, em seguida, preso cerca de 3 meses -em regime de "internação política"-na Emigração de São Paulo;
libertado, é convidado por um judeu, companheiro de prisão, para trabalhar como vendedor de guarda-chuvas e papel carbono (sem aparente sucesso);
com a libertação de T. Heuberger, que também fora acusado de nazismo, volta a trabalhar na “Casa e Jardim”, porém como limpador de janelas, responsável pelo almoxarifado e finalmente como vendedor. Em São Paulo:
funda o "Quinteto Instrumental de São Paulo", como qual realiza turnês pelo sul do Brasil durante aproximadamente dois anos.
1943 -Professor de Contraponto, Fuga e Composição no Instituto Musical de São Paulo;
Santoro, seu primeiro aluno de composição, é premiado com a obra Impressões de uma fundição de aço (baseada na peça Usina de Aço, de 1942), no Concurso da Orquestra Sinfônica Brasileira, do Rio de Janeiro;
data deste ano a criação dos Estatutos do "Grupo Música Viva", onde em 4 páginas estão detalhadamente arrolados suas finalidades, forma de organização, modos de atuação,etc..
1944 -De retorno ao Rio de Janeiro, trabalha como vendedor e caixa, na filial da Casa e Jardim:
Eugen Szenkar (fundador, junto com José Siqueira, da "Orquestra Sinfônica Brasileira") convida-o para atuar como substituto da primeira flauta na OSB (orquestra da qual Koellreutter é considerado um dos sócios fundadores). Isto então lhe permite abandonar o trabalho de vendedor na "Cosa e Jardim" e é a partir desse momento que ele considera ter de fato começado sua carreira musical;
começa a dar aulas de composição para César Guerra-Peixe, ex-músico popular, aluno de Newton Pádua e recém-saído do Conservatório Brasileiro de Música. Nesse mesmo ano, Guerra-Peixe compõe suas "Quatro Bagatelas" para piano. Considerado o primeiro de seus trabalhos baseado na técnica dodecafônica:
Edino Krieger torna-se aluno de matérias teóricas e composição de Koellreuter no Conservatório Brasileiro de Música;
Santoro obtém "Menção Honrosa" no Concurso Internacional de Chamber Music Guild em associação com a RCA Victor de Washington, com seu "Primeiro Quarteto", de 1943;
0l de Maio: primeiro manifesto produzido pelo grupo Música Viva (breve documento, conhecido por "Manifesto 1944");
reflexos diretos de uma entrevista para a revista Diretrizes, a 11 de Maio desse mesmo ano e polêmica referente à sua postura como pedagogo musical diante da estrutura curricular vigente no Conservatório Brasileiro de Música, ocasionada em função de um de seus alunos -Edino Krieger- levam-no a uma situação de ruptura com o compositor e então Diretor O. Lorenzo Fernandez, resultando finalmente em seu desligamento dessa instituição de ensino;
l3 de Maio: inauguração do programa “Música Viva”, irradiado semanalmente pela emissora PRA-2, Rádio Ministério de Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. Várias primeiras audições brasileiras, tanto de música antiga quanto de música contemporânea de autores nacionais e estrangeiros, ocorrerão nesse programa. Quando o compositor Ernst Krenek esteve no Rio de Janeiro, convidado para participar do Curso de Férias de Teresópolis, em 1952, foram apresentadas nessa emissão suas Variações [Cf. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 06/01/1952);
sistematização dos "Cursos Independentes de Composição Musical", em São Paulo e no Rio de Janeiro, forma de atuação pedagógica autônoma que Koellreutter desenvolverá regularmente até os dias de hoje;
2l de Julho: reunião de fundação do grupo MúsicaViva paulista (com aparticipação de Gení Marcondes, Eva Kovach, Rodolfo Lans, Eric Simon, Helena Parigot de Souza Cruz, Gustavo Stern, Ruy Coelho, Alvaro Bittencourt e, evidentemente, Koellreutter);
20 de Dezembro: em entrevista ao jornal carioca O Globo denuncia o descaso geral pela música e questões contemporâneas, bem como define a figura do músico criador, para o qual estabelece as funções de "criar um ambiente próprio para a obra nova, para a formação de uma mentalidade nova e destruir preconceitos e valores doutrínórios, acadêmicos e superficiais", entre outros.
1945 -Elaboração de um desconhecido documento, o "Manifesto 1945'", o mais longo dos três manifestos produzidos inédito); pelo Música Viva (aparentemente inédito) Edino Krieger recebe o prêmio Música Viva com seu Trio de Sopros, após apenas um ano de aulas com Koellreutter:
Santoro obtém o primeiro prêmio no "Concurso Nacional da Associação Rio Grandense de Música para Lied", com sua peça A menina boba, de 1944;
1946-Professor do Instituto Musical de São Paulo e da Escola de Música Santa Cecília, de Petrópolis (esta última por curto período);
. Eunice Katunda e Roberto Schnorrenberg começam a estudar composição e estética com Koellreutter;
. Santoro compõe sua Música para Cordas onde experimenta a criação de um estilo original, com vistas a integrar elementos populares nacionais a faturas dodecafônicas (no que será seguido mais tarde por Guerra-Peixe e depois Eunice Katunda, seus colegas do Grupo de Compositores MúsicaViva);
. Santoro obtêm em concurso bolsa da Guggenheim para estudar nos EUA (o que entretanto não chega a se concretizar por razões político-ideológicas);
. Setembro: é criado um novo ciclo de transmissões na PRA-2. intitulado "E a música esteve sempre presente", paralelamente ao programa"Música Viva"
.01 de Novembro: é lançado, no Rio de Janeiro, o "Manifesto 1946". declaração de princípios do grupo Música Viva. Este é o mais conhecido e expressivo manifesto gerado pelo grupo;
. Eunice Katunda recebe com sua obra O Negrinho do Pastoreiro o prêmio Música Viva (que acabou por se tornar uma das mais conhecidas músicas dessa pianista e compositora).
1947-Janeiro: retomada a edição do boletim Música Viva, com o lançamento de seu nº12, que se abre com o "Manifesto 1946. Declaração de Princípios", seguindo-se, em suas 48 páginas, textos de Koellreutter, Curt Lange, Guerra Peixe, Gení Marcondes;
. primeira fundação da Seção Brasileira da Sociedade Internacional de Música Contemporânea (SIM), tendo Renato Almeida sido eleito seu Presidente e Koellreutter Secretário Geral:
. sob a orientação de Koellreutter, Edino Krieger começa a compor segundo a técnica dodecafônica:
. l9 de Julho: inauguração no Distrito Federal, da Seção de Música da Universidade do Povo (que,entre outros artistas, contou com a participação do grupo Música Viva e em especial de Cláudio Santoro). Na ocasião, Koellreutter proferiu uma palestra sobre Beethoven ;
. Santoro, que não obteve o visto de entrada para os EUA (devido à sua filiação política), viaja para a França, em meados desse ano, indo estudar com Nádia Boulanger;
. Guerra-Peixe compõe seu Quarteto nºl, no qual o projeto de "nacionalizar o dodecafonismo" -aplicado inicialmente no Lento (Modinheiro) do Trio para violino, viola, violoncelo -adquire tratamento mais consciente. Desse mesmo ano data sua Peça para dois minutos, que embora diretamente associada à peça anterior pelo projeto compositivo, marca o início da fatura mais propriamente serial do que dodecafônica (predominância do trabalho com células, fragmentos da série).
1948-Edino Krieger-então com 20 anos de idade- conquista, com suas obras Peça Lenta (para flauta,violino,viola, violoncelo) e Movimento Misto (para pequena orquestra), o primeiro prêmio no "Concurso de Compositores Latino-Americanos", promovido pelo Berkshire Music Center, de Tanglewood. Em Julho, viaja para os EUA, onde estuda composição com o compositor Aaron Copland;
Roberto Schnorrenberg -aluno paulista de Koellreutter, na época com 19 anos conquista com as obras Quarteto Misto e Intrata (para Orquestra Sinfônica), o segundo lugar no concurso acima mencionado;
Cláudio Santoro recebe o prêmio"Lili Boulanger", em Paris;
em Praga, Santoro participa do "Congresso dos Compositores Progressistas"e incorpora alguns dos postulados ali definidos, entre os quais a condenação da música moderna -dodecafônica-, enquanto produção burguesa e decadente. Início do processo de desalinhamento na cúpula do Música Viva;
editado o boletim Música Viva nº16 (Rio de Janeiro: Agosto/48), com o qual se encerra definitivamente essa série de publicações;
Koellreutter trabalha como assistente de seu ex-professore mestre, Hermann Scherchen, no Curso Internacional de Direção de Orquestra (XI Festival Internacional de Música Contemporânea), da Bienal de Veneza. Junto com Koellreutter viajaram para participar desse evento seus alunos: Gení Marcondes (que era desde 1945 também sua espôsa), Sônia Born, Esther Scliar, Antônio Sergl ("Totó", músico popular) e Eunice Katunda, entre outros. O contato direto entre H.Scherchen e Koellreutter -na qualidade de "embaixador" da nova escola brasileira de composição- possibilitou a execução,e divulgação radiofônica em Zurique.de várias obras de compositores brasileiros pelo famoso regente, entre elas: Noneto, de Guerra Peixe, Cantos à Morte, de Eunice Katunda e O lambe-lambe, de Luiz Cosme:
Koeilreutter profere palestras sobre música contemporânea e estética em diversos centros (entre as quais "Fondamenti di una Estética materialista della musica", promovida pelo Círculo de Cultura A. Grasmsci -Veneza, 02/10-,vinculado ao Partido Comunista Italiano);
Ministra o curso de composição dodecafonica, intitulado: ”Novos fundamentos da composição musical”, promovido pelo "Il Diapason, Centro Internaziomale di Musica Contemporânea” (Milão, 11 e 12/1948) (há referências a esta atividade, em seu currículo. como "diretor do I Curso Internacional de Composição Dodecafonica, promovido pelo Centro Internacional de Música Contemporânea"). Entre seus alunos em classe estavam Eunice Katunda e os compositores italianos Bruno Maderna e Luigi Nono.
. Koellreutter e a pianista Gení Marcondes trabalham como correspondentes do jornal Diário de São Paulo, fazendo a cobertura da Bienal de Veneza e enviando notícias sobre a vida musical no velho continente: realizam concertos em várias cidades da Europa. interpretando obras de autores nacionais e estrangeiros;
. H.J.Koellreutter naturallza-se brasileiro
1949/54 -Estadia em São Paulo
1949 -Rege o concerto inaugural do Museu de Arte Moderna de São Paulo, a convite de seu então diretor, José Maria Bardi. Apresenta. em primeira audição brasileira, obras de Guerra Peixe (Noneto), B.Britten (Sinfonieta), A.Webern (Sinfonia, Op. 2l ), L. Dallapiccola (Cânticos de Safo) e dele próprio (Fanfarra de Inauguração);
participa:do "III Congresso Internacional de Compositores Musicais Progressistas".em Praga, do "I Congresso Internacional de Compositores Dodecafônicos", em Ascona/Suíça (do qual também participaram John Cage e Eunice Katunda) e do "Festival Internacional de Música Contemporânea" (da SIMC), em Palermo, como delegado brasileiro (na oportunidade, em estréia mundial sua obra Noturnos, é apresentada para contralto e quarteto de cordas, de 1945, sobre textos de Oneyda Alvarenga, peça escolhida para representar o Brasil nesse evento);
realiza turnês pela Europa (Espanha, França, Itália, Suíça, Alemanha, Austria, Tchecoslováquia e Hungria), como flautista, regente e conferencista;
Abril: Guerra Peixe compõe aquela que é considerada a sua última obra dodecafônica buscando integração com o uso de elementos nacionais: Suíte, para flauta e clarinete. Desde Junho deste 1949, ele considera ter abandonado definitivamente a orientação dodecafônica e abraçado a linha nacionalista, apoiada entretanto por sólidas pesquisas folclóricas, onde o Recife representará sua primeira e principal fonte de interesse;
Santoro retorna de sua estadia européia, instalando-se no Rio de Janeiro. Seu posicionamento político não é assimilável na época; ele se verá em estado de completa marginalização e sem emprego. Vai então dirigir a fazenda do sogro, de onde corresponde-se intensamente com Koellreutter, embora já bastante distanciado do projeto MúsicaViva e preconizando agora um novo nacionalismo, segundo ele, radicalmente diferente daquele praticado por Villa-Lobos e Guarnieri;
Santoro recebe com sua Sinfonia nº3 (1941/48), para orquestra,o primeiro prêmio do Concurso Nacional instituído por Orquestra Sinfônica de Boston/Bershire Music Center of Boston;
. Koellreutter leciona no "Curso Internacional de Férias de Músico Nova", promovido pelo Instituto Internacional de Música, em Darmstadt (participação que muito provavelmente lhe estimulará na criação de evento análogo no Brasil). Nesse evento rege também o Noneto, de Guerra Peixe;
1950-Koellreutter,com o apoio de T. Heuberger,f unda, organizae dirige o "Curso Internocional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis, Rio de Janeiro (de 03/01 a l5/ 02/1950), primeiro de uma longa e bem sucedida série. Inaugura-se no país a tradição de cursos e festivais de férias;
dirige o "Festival J.S.Bach", organizado pela Rádio M.E.C., regendo concerto no Teatro Municipal do Rio de Janeiro;
realiza turnês pela Argentina e Uruguai, como conferencista e flautista;
07 de Novembro: Camargo Guarnieri lança publicamente sua "Carta aberta aos Músicos e Críticos do Brasil", provocando uma das maiores polêmicas jamais verificada na vida musical brasileira;
a imprensa escrita dá cobertura intensa, publicando opiniões, críticas e adesões ao documento;o jornalista Ferraz Gonçalves publica, na coluna"Foto-Fórum"do Diário de São Paulo, uma série de depoimentos-resposta de músicos diversos sobre diferentes tópicos da Carta de Guarnieri;
0l de Dezembro, Museu de Arte de São Paulo:debate público proposto por Koellreutter a Guarnieri; discussões caracteristicamente acaloradas, incentivadas pelo poeta Oswald de Andrade, porém sem a presença de Santoro, Guerra-Peixe e E. Krieger (do grupo de compositores apenas E. Katunda esteve presente). Entretanto a ausência realmente curiosa foi a do próprio acusador, deflagrador da polêmica, que, um dia antes, viajou para o Rio de Janeiro. Este evento marca o final da existência oficial do Grupo Música Viva.
28 de Dezembro: Koellreutter responde também com uma "Carta Aberta" à Guarnieri. depois de haver já claramente se posicionado diante do controverso documento em várias entrevistas avulsas concedidas anteriormente.
l95l -Janeiro: Koellreutter atua como Diretor Artístico do "2º Curso Internacional de Férias Pró-Arte".em Teresópolis, Rio de Janeiro;
sob a coordenação de Koellreutter.o "Movimento MúsicaViva", a cargo do grupo paulista, mantém-se ativo organizando cursos eventos. e audições;
dirige a série "Concertos Música Viva" -que aqui se inicia-, apresentando obras contemporâneas no Museu de Arte. de São Paulo. São dadas então em primeira audição paulista Oferenda Musical, de J.S.Bach, Duas Líricas de Anacreonte,de Luigi Dallapiccola, Sonata para 2 pianos e percussão, de Bela Bartók, História do Soldado, de L Stravinsky (esta com montagem cênica em primeira apresentação brasileira) [Cf. Estado de S.Paulo, 27/05/1951]e a obra dodecafõnica Novena á Senhora da Graça, de Luiz Cosme (1950) (em primeira audição mundial), entre outras. (Importante observar a aqui que, contrariamente a Santoro, Guerra Peixe e Eunice Katunda, o compositor Luiz Cosme realiza cada vez mais intensamente o caminho de abandono do nacionalismo em direção ao atonalismo-dodecafônico, processo iniciado desde inícios da décadade 40.)
Koelleutter participa da Assembléia Geral da Sociedade Internacional de Música Contemporânea, em Frankfurt, como delegado brasileiro;
atua como professor no "Forum Europeu"em Alpbach, na Áustria;
presidente do "II Congresso Internacional de Composição Dodecaf'ônica", em Darmstadt;
realiza turnês como regente pela Europa, estreiando obras contemporâneas de compositores brasileiros e latino-americanos em Berlim (Francisco Mignone, José Siqueira, A.Ginastera, J.C.Paz e Luiz Cosme), Roma (seu aluno Cornélio Hauer, Guerra Peixe e Luiz Orban), Londres (C. Santoro). Milão e Zurique (Esteban Eitler, Maciel Guari e Radamés Gnattali). Sua Sinfonia de Câmera 1947 também é apresentada em primeira audição nesta última cidade.
1952-Diretor Artístico do "3° Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis. Nos concertos desse curso, Koellreutter rege a estréia brasileira da Missa ea C Maior, de Mozart (acapella);
professor de Composição e Teoria nas "Semanas Internacionais de Música", no Conservatório de Música de Lucerna, Suíça;
última informação localizada sobre a existência do programa radiofônico "Música Viva", que de 1949 a 50 vinha sendo levado sob a direção de Gení Marcondes, auxiliada por Edino Krieger;
Edino abandona o serialismo, como referência de sua produção musical, adotando uma linha de nacionalismo mais sutil e de estilo neo-clássico:
. Santoro recebe o "Prêmio Internacional da Paz", Viena, com seu Canto de Amor e Paz.. de 1950.
1952/58 -l5 de Março: Koellreutter funda e dirige a Escola Livre de Música, da Pró-Arte, em São Paulo, onde atuará intensamente também como professor de diversas disciplinas, especialmente Estética, Composição, Harmonia e Contraponto. Posteriormente será denominada "Seminários de Música Pró-Arte". (Importante ressaltar que entre as metas visadas pela escola figura a preparação de artistas e profissionais ao lado também da formaçã, o "de um público dotado de conhecimentos que o capacite a apreciar e a .julgar os obras musicais assim como outras manifestações artísticas"; cf. folheto de divulgação, s.d.).
1953-Diretor Artístico do "4° Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis;
09 de Março: fundação da "Pró-Arte" de Piracicaba, São Paulo, tendo à frente Ernest Mahle, um dos alunos de Koellreutter; este participará como Diretor Artístico e professor de Composição dos cursos ali oferecidos;
. l7 e l8 de Março- Koellreutter vai pela primeira vez à Bahia, a fim de proferir 3 palestras sobre estética musical ("Dialética da Expressão Musical", "Impressionismo" e "Expressionismo"), no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia. em Salvador:
. realiza turnês pelos EUA, Itália, Suíça, França, Alemanha, Israel, Índia e Japão, como regente, flautista e conferencista;
. professor de Composição e Estética na "Academia de Música Musashino", em Tóquio (Japão);
.Guerra Peixe, continuando seu trabalho de compositor nacionalista e folclorista, dá início, com um texto publicado na revista Fundamentos, a uma série persistente de críticas ao dodecafonismo e a Koellreutter, fazendo também sua própria autocrítica da fase serial.
1954-Diretor Artístico do "5º Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis (09/01-20/02);
.Koellreutter apresenta em primeira audição brasileira as missas de G.Machaut e de I.Stravinsky, no âmbito do "Festival de Missas", realizado pela Escola Livre de Música, da Pró-Arte;
. Guerra Peixe, residindo em São Paulo, retoma com a Suíte nº2 (Nordestina), para piano, sua dinâmica criativa. Ele refará na prática as três fases de evolução do "Compositor Brasileiro", as três teses, tal como concebidas por Mário de Andrade em seu famoso Ensaio, de 1928, essa suíte correspondendo à primeira delas.
1954/57 -Koellreutter atua como crítico musical dos Diários Associados.São Paulo.
1954/62 -De 24/06 a3l;07/54 funda e dirige, em Salvador, os"Seminários Internacionais de Música", que vieram a se transformar posteriormente na Escola de Música e Artes Cênicas, da Universidade Federal da Bahia(UFBA). Foram alunos de Koellreutter: Diogo Pacheco, Isaac Karabtchevisky, Henrique Gregório (Regência), Ernest Mahle e Luiz Carlos Vinholes (Composição), entre muitos outros. (Estes seminários livres foram patrocinados pela Reitoria da UFBA, em colaboração com a Escola Livre de Música Pró-Arte, de São Paulo, da qual Koellreutter era diretor.)
06/07/54 -Koellreutter profere a palestra "Problemas do Ensino Musical no Brasíl", no âmbito dos seminários, no Salão Nobre da Reitoria (seguida, como de praxe, por debates).
.04/10/54 -Aula inaugural dos "Seminários Livres de Música" (que se seguiram aos "Seminários Internacionais de Música", estes cursos de férias), quando Koellreutter faz a preleção sobre O pensamento da antiguidade e os fundamentos da Música Ocidental (cf Diário da Bahia. Salvador. 02 e 03/10/54).
1955-Diretor Artístico do"6º Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis;
. diretor do "II Seminário Internacional de Música da Bahia", realizado na UFBA, em Salvador:
. regente titular da Orquestra Sinfônica da Bahia, cuja formação definitiva se dará apenas em I 958;
. estréia da obra Sistática, para flauta solo, que pode ser considerada seu primeiro trabalho de forma variável ou aberta (a escrita das notas possui disposição espacial e simétrica).
1956-Diretor do "III Seminário Internacional de Música da Bahia", realizado na UFBA, em Salvador. Nessa ocasião, o compositor suíço Ernest Widmer, a convite de Koellreutter, transfere-se para Salvador e começa a lecionar matérias teóricas e piano. Ele representará um papel decisivo na evolução dos seminários, que, progressivamente, se imporão como um centro de referência de reconhecimento nacional no ensino musical e para onde afluirão boa parte dos melhores futuros músicos brasileiros. Grande número de estréias de obras clássicas e modernas são e continuarão após a serem, dadas na Bahia durante os seminários;
. Koellreutter dirige o "Festival Mozart", em Salvador;
. realiza turnês nos EUA, Bélgica, Alemanha e Suíça como regente e conferencista.
1957-Diretor Artístico do"7º Curso Internacional de Feriais Pró-Arte",em Teresópolis;
. diretor do "IV Seminário Internacional de Música da Bahia", realizado na UFBA, em Salvador; dirige na ocasião, em primeira audição brasileira, a Missa em C Maior. de Schubert.
1958 -Diretor Artístico do"8° Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis; diretor do "V Seminário Internacional de Música da Bahia", realizado na UFBA, em Salvador. Forma-se completamente a Orquestra Sinfônica da Bahia. Data desse ano a criação de bandas musicais;
estréia brasileira das Quattro Pezzi Sacri, de Verdi, sob sua regência em Salvador.
1959 -Diretor do "VI Seminário Internacional de Música da Bahia", realizado na UFBA, em Salvador.
criação do "Setor de Comunicação e Percepção Auditiva" e do "Setor de Jazz e Música Popular", da Escola de Música da UFBA;
. viaja aos EUA a convite e sob o patrocínio do Departamento de Estado de Washington, para conhecer instituições de ensino musical e musicoterapia;
. realiza as palestras Estética da Música Experimental e Novos Fundamentos paro a Teoria da Música;
. rege a estréia brasileira do Primeiro Salmo e do Sobrevivente de Varsóvia, de Arnold Schoenberg, em Salvador.
1960 -Diretor Artístico do "10"Curso Internacional de Férias Pró-Arte", em Teresópolis:
. Diretor do "1Cursode Música de Verão", organizado pela Secretaria de Educação dePorto Alegre (RS);
. profere ciclo de palestras na Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza;
. criação do "Setor de Música Experimental" e da Banda Sinfônica da Escola de Música da UFBA, em Salvador;
. desde esse ano, E.Widmer começa a demonstrar um estilo composicional mais autêntico, desenvolvendo propostas criativas de carater fortemente vanguardístico e original;
. Koellreutter torna-se vice-presidente do "lnstituto de Música", da União Panamericana, em Washington;
. compõe a peça Concretion, seu primeiro ensaio de estruturação planimétrica;
. realiza turnês pelo Sul do Brasil como regente, professore conferencista
1962-Agraciado com um prêmio da Fundação Ford -pelos seus 25 anos de serviços prestados no Brasil -, passa 12 meses em Berlim, na qualidade de artista-residente. [Participaram também deste importante projeto, patrocinado pela Fundação Ford em colaboração com o Senado de Berlim -que tinha entre seus objetivos “apresentar as relações recíprocas entre o centro espiritual da Alemanha e os artistas do mundo inteiro”-, vários artistas, entre os quais os seguintes músicos, Michel Butor, Yannis Xenakis, Frederic Rzewski, Elliot Carter e Igor Stravinsky. Cf. "Berlim Confrontation" (Künstlerin Berlin), Berlim, Gesamtherstellung Brüder Hartmann,1965.]
. Koellreutter realiza sua primeira grande viagem pelo Oriente. A Escola de Música da Bahia fica sob a direção de Ernst Widmer, que desde 1959 vinha já dividindo tal função (ocupará este cargo até 1969).
1963-Março: é lançado em São Paulo o "Manifesto Música Nova", assinado por Gilberto Mendes, Willy Correia de Oliveira, Sandino Hohagen, Alerandre Pascoal.Régis Duprat, Rogério Duprat e Damiano Cozzella (os dois últimos ex-alunos de Koellreutter em São Paulo), cuja proposta essencial era "compromisso total com o mundo contemporâneo". Recupera-se agora, a título de um novo movimento, coletivizado, a pesquisa composicional e estética. Afirmam, no melhor estilo da Música Viva por volta de 46, que, entre outras coisas a "alienação está na contradição entre o estágio do homem total e seu próprio conhecimento do mundo;" e que a "música não pode abandonar suas próprias conquistas para se colocar ao nível dessa alienação". Atestam a validade da contribuição de Schtrenberg, Webern, Varèse, Messiaen, Schaeffer, Cage, Stockhausen e Boulez para a música, considerando a cultura brasileira possuidora de tradição de atualização internacionalista, recuperando assim uma das linhas de força -o universalismo da música e da arte-, que desde o início havia norteado o movimento MúsicaViva.
1963/64 -Koellreutter retorna à Alemanha, onde dirige o Departamento de Programação Internacional do Instituto Goethe de Munique.
Com a saída definitiva de Koellreutter da Escola de Música da Bahia, E.Widmer passa também a lecionar Composição.
1964 -Recebe o título de "Doutor Honoris Causa" pela Universidade Federal da Bahia (UFBA);
. Santoro retorna ao serialisrno com sua Sonattina n°2, para piano. De fato, a partir daqui o compositor amazonense se lançará intensamente à composição de obras experimentais. Com as séries Intermitências (década de 60) e Mutationen (final de 60 e 70), para diversas formações, Santoro se realinha com a vanguarda estética de seu momento, recorrendo ainda aos meios eletroacústicos e à aleatoriedade (por exemplo, Agrupamento a 10 e Diagramas Cíclicos, de 1966).
1965/69 -Koellreutter viaja para a Índia, onde dirige o Instituto Cultural da República Federal da Alemanha e atua como Representante Regional do Instituto Goethe para a Índia, Sri Lanka e Burma.
Edino Krieger desenvolve desde este ano um trabalho criativo, visando integrar o nacionalismo (entendido como recurso a elementos característicos da música popular brasileira) e novas técnicas composicionais.
1966 -Por volta deste ano, data a criação do Grupo de Compositores da Bahia, formado por alunos de Composição de E. Widmer e alguns ex-alunos de Koellreutrer (Nicolau Kokron, Milton Gomes, Carmen Mettig, Lindemberg Cardoso, Jamary de Oliveira, Reinaldo Rossi, Agnaldo Ribeiro, Fernando Cerqueira, Rufo Herrera, etc, em diferentes fases). Postulam a rejeição de princípios técnico-estéticos já estabelecidos, em favor de um desenvolvimento criativo mais individual:
1966/69 -Koellreutter funda e dirige a Delhi School of Music (Escola de Música Ocidental) de Nova Delhi/Índia.
. estuda canto (performance vocal), com Pandit Vinay Chandra;
. profere palestras em vários locais, entre. eles na Universidade de Mysore;
. funda a Orquestra de Cordas de Nova Delhi (1966), com a qual realizou várias apresentações como regente;
apresenta-se como solista (flauta) e também como regente da Orquestra Sinfônica de Nova Delhi, entre outras;
. com a Orquestra Sinfônica de Bombaim regeu em primeiras audições nacionais obras de H. Purcell, Beethoven, Mozart, etc;
. deu vários recitais como flautista acompanhado por pianistas locais (Madras, Bangalore, Jaipur, Calcutá, Hiderabad, Nova Delhi, Poona, etc);
. compõe suas obras Sunyata, para flauta, orquestra de câmera e fita magnética (Nova Delhi, 1968), e Advaita. Para sitar e tabla solos, com acompanhamento de orquestra de câmera, esta com estréia nesse mesmo ano pela Orquestra de Cordas de Nova Delhi, sob sua regência;
. torna-se membro da Academia de Artes em Bombaim. 1968.
1969 -Rege com a Orquestra Filarmônica de Bombaim a primeira execução indiana da Nona Sinfonia, de Beethoven;
. agraciado pelo Governo Brasileiro com a"Ordem do Cruzeiro do Sul".
1970 - É convidado para organizar o Departamento de Música da Universidade de Campinas (UNICAMP), que apesar das várias propostas e sugestões encaminhadas, não chegou efetivamente a se realizar. No entanto, à frente dessa empresa esteve Benito Juarez, seu ex-aluno em São Paulo.
1970/74 -Diretor do Instituto Cultural da República Federal Alemã em Tóquio e Representante Regional do Instituto Goethe para o Japão e Coréia do Sul;
.leciona no "Christo Kyôkai Ongaku Gakkô" (Instituto de Música Cristã), de Tóquio;
. Diretor Artístico e Regente do "Choral Heinrich Schütz" por ele fundado em Tóquio;
1975 -Koellreutter retorna ao Brasil, depois de praticamente 13 anos de ausência.
1975/80-Diretor do Instituto Cultural Brasil-Alemanha, no Rio de Janeiro. Realização de intensas atividades musicais, como professor, regente, compositor e conferencista.
l977 -Abertura do "XIII Festival Música Nova", de Santos: Koellreutter profere a palestra intitulada Função e valor da música na sociedade de amanhã, provocando um "vendaval de discussões" que se alastrou durante meses em jornais, revistas e televisão, envolvendo compositores, intérpretes, críticos, Como já havia acontecido tantas vezes antes, as concepções de música e cultura, as posições filosóficas, estéticas e ideológicas assumidaspor Koellreutter não meramente, causaram estranheza, mas sim estimularam vivamentea reflexão e o debate, o confronto de idéias e posicionamentos, que, em princípio, leva, à conscientização da realidade sócio-cultural. Uma frase sua, pronunciada durante o seminário que ministrou no evento Arte & Consciência, promovido pela Atravez,(São Paulo, 1988), ilustra sinteticamente sua postura: “Tudo o que choca conscientiza”. Dá, continuidade a suas aulas particulares de Composição, Contraponto, Harmonia, Estética e Pedagogia Musical, freqüentadas por grande número de jovens alunos, tanto no Rio de Janeiro, quanto em São Paulo, bem como cursos e palestras em diversos centros de ensino do país.
1981 -Recebe o título de "Cidadão Honorário"do Rio de Janeiro.
1983/84 -Diretor do Conservatório Drantático e Musical Dr.Corlos de Campos, de Tatuí (SãoPaulo).
1984-Professor-Visitante no curso de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica-PUC, de São Paulo.
1985-Agraciado com a "Grande Cruz de Mérito", da República Federal da Alemanha.
l985/86 - Funda o Centro de Pesquisa em Música Contemporânea, da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde atua como Diretor e professor de Estética, Análise, Pedagogia e Composição Musical;
professor de várias disciplinas na Fundação de Educação Artística-FEA, de Belo Horizonte:
realiza cursos e palestras em vários locais, entre eles, Instituto de Artes, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdades Santa Marcelina.etc..
1987 - Agraciado com a"Medalha da Inconfidência", pelo Governo do Estado de Minas Gerais;
professor de Composição e outras disciplinas na Escolade Música da UFMG;
realiza palestra no Encontro Oriente-Ocidente nos Artes e Ciências,no âmbito de "Diálogos Interdisciplinares", organizados por ele, Anna Maria e John Parsons, em Tiradentes, Minas Gerais (24-27/04).
1987-89-Realiza uma série extensa de encontros como Professor-Visitante no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), intitulada Introdução à Estética relativista do Impreciso e Paradoxal, onde aborda suas conceituações atuais para uma larga audiência constituída por jovens universitários, músicos e amadores de música e arte em geral.
1989 -Agraciado com a Medalha Universidade de São Paulo, proferiu "Aula Magna", no Instituto de Estudos Avançados, abordando o tema: Educação Musical no Terceiro Mundo: função, problemas e possibilidades.
Afora o período em que esteve ausente no exterior, Koellreutter nunca deixou de dar continuidade ao trabalho de formar e orientar estudantes em seus cursos independentes de composição, análise e estética musicais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, o que faz até o presente. Da mesma maneira, escreve textos, compõe obras, ministra cursos e profere palestras em vários pontos do país.
Com isso contribui, num estilo sempre original, a manter música e educação em movimento, tendo assim transposto o limite de definições, o que possibilitou trazer para a sua própria vida a essência do movimento que aqui criou sob o título Música Viva.
Sua última composição intitula-se significativamente “Panta Rhei”, tudo flui...
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
KATER, Carlos. H.J.Koellreutter e a Música Viva: movimentos em direção à ntodernidade (Tesede Concurso Público para Professor Titular, Escola de Música/UFMG). Belo Horizonte:1991.
KATER, C. "Aspectos educacionais do movimento Música Viva", in Revistada ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical), n°l Ano l, Mai/1992, pp.22-34.
KATER, C. "O programa radiofônico Música Viva", in: Cadernos de Estudo: Educação Musical nº4/5 (SP/BH: Atravez/UFMG,1994),pp.60-85.
KATER, C. Catálogo de Obras de H.J.Koellreutter.Belo Horizonte:1996 (no prelo).
KIEFER, Bruno. História da Música Brasileira: dos primórdios ao início do séc.XX. Porto Alegre: Ed. Movimento. 1982.
KOELLREUTTER, H. J."Audio-Game, análise de uma partitura in-analisável". in: Cadernos de Estudo:Análise Musical n°5 (SP: Atravez, 1992), pp.107-120; "Dossiê H.J.Koellreutter", contendo bibliografia e relação de textos do autor, pp.121-124.
KOELLREUTTER, H. J. "Educação Musical no Terceiro Mundo", in: Cadernos de Estudo: Educação Musical n°1 (SP/BH: Atravez/UFMG, 1990),pp.0l -08.
MARIZ, Vasco. História da Música no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/INL-MEC, 1983(2ª ed. rev. e ampl.).
NEVES, José Maria. Música Contentporânea Brasileira. São Paulo: Ricordi Brasileira, l98l .
Foi ainda consultado um conjunto de documentos, que serviram como importantes fontes subsidiárias: correspondências diversas, programas de curso, de concerto, revistas, jornais e uma série de entrevistas gravadas, realizadas com Koellreutter (SPe RJ, 1985-87).
Carlos Kater, compositor e musicólogo, é Doutor em Musicologia e História da Música pela Sorbonne, bolsista do CNPq e Professor Titular da Escola de Música/UFMG, onde coordena o NAPq-Núcleo de Apoio à Pesquisa e ministra as disciplinas Musicologia Histórica Brasileira, Análise Fenomenológica e Introdução à Pesquisa nos Cursos de Especialização.
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