Jogos Dialogais

H.J.Koellreutter

Material preparado a partir dos manuscritos originais do autor por
Rubner de Abreu e Carlos Kater

I. PERMITIDO -PROIBIDO

Momento A:

I motiva o comportamento de II com dois sinais

 

sinal I -permitido
sinal 2 -proibido

 

Materiais musicais:

I

sinal I : wood-block grave
sinal 2 : wood-blocka gudo

 

 

II

trinado em lata de feijão (f e rápido)

Momento B:

I dirige-se a VIII da mesma maneira (como indicado em a)
II dirige-se a III e assume atitude de "autoridade" (trata-o como foi tratado por I)

MomentoC:

I exerce o papel de autoridade sobre VI
II sobre V
III sobre IV
VIII sobre VII

II -COMÍCIO

Forma de comunicação:

 

I

"deputado" ____ _____ ____ etc.

 

II a VIII

"multidão"

Quando I parar, a "multidão" começará; quando I recomeçar, a "multidão" silenciará. , Entrada e duração dependem do "deputado". Ele tem a "multidão" inteiramente nas mãos.

Materiais musicais:

 

I

discursos entusiasta/demagógico" com flexaton.
Através de durações variadas dos trechos do discurso e pausas "brincar com a multidão"
Signo final: maracas

 

II a VIII

trinados na lata

III . EM CASA É OPAI QUEM MANDA

II distribui ritmos aos outros participantes, da seguinte forma:

  • Olha para um parceiro qualquer e toca um ritmo até que ele o repita.
  • Depois dirige-se a um outro parceiro, da mesma maneira (tocando sempre ritmos diferentes, orientando-se por uma mesma pulsação, se possível com compasso variado: 314, 414, 514etc.).

I, IIII-VIIII repetem os ritmos, até que II lhes dê um sinal para finalizar (batida dupla). Este sinal poderá ser dado a um, vários ou todos os participantes simultaneamente.

Instrumentos:wood-block, temple -blocks, eventualmente palmas.

IV -OBEDIENTES E DESOBEDIENTES

V bate o chicote ou apita. Em seguida, I, IV VI, VII e VIII dão início a sons graves em ff (voz, tam-tam, bombo, etc.).V determina com suas batidas a duração tanto dos acordes quanto das pausas.

De lado, II e III mantêm um bate-papo, sem ligar para os outros.

V -REPRESSÃO FRUSTRADA

Assim que II ou VIII começa a tocar, ele será reprimido por um sinal de I. Da mesma forma se comportam VI, V e IV.

Primeiro II, VII, IV e VI ficam intimidados: após cada "stop" fazem intervalo longo, até que retomem coragem. Finalmente, percebem que os repressores ficam dependendo deles mesmos. Começam a "brincar" com eles, pregando-lhes uma peça e dando-lhes "uma dura".

Materiais musicais:

 

I e V

tocam metalofone, sempre em p e de maneira "transparente"

 

II, VIII, IV, VI

realizam "trinados" rápidos e nervosos com maracás ou instrumentos semelhantes (caxixís, latas de feijão, pregos etc.)

VI -ESCALADA

Enquanto I, II, IV V, VI e VIII continuam tocando, III e VII iniciam diálogo em ppp que progressivamente se transforma em violenta discussão: cada um responde mais forte que o outro. Quando os demais percebem o diálogo/confronto entre III e VII, eles iniciam um diálogo com o parceiro à sua frente. Membrafones com as duas mãos, revezando rapidamente: primeiro p depois cada vez mais forte.

No clímax, I interfere com o flexaton (ou bombo)de maneira crítica e agressiva (xingamento).

Os outros, furiosos, fecham a cara, rangemos dentes, arranhando metal com metal, pele com unhas ou moedas, violino com arco atrás do cavalete, etc.. Aqui iniciam Ping-pong.

VII . ATIVIDADES PRIVATIVAS - Ping-pong

III, IV VI e VIII jogam ping-pong em duplas.

A bola (representada por uma batida na abertura de um tubo ou bocal) passa na direção indicada (ver gráfico), em metros regulares, de jogador a jogador.

I e V como espectadores, realizam "comentários", tocando contratempos ou motivos rítmicos breves (no mesmo metro).

VIII . OS BÊBADOS

1ª Rodada:

    I despeja água com uma caneca num balde, de uma altura suficiente para produzir um som bem audível. II, IV VI e VIII interrompem neste momento o ping-pong, olhando estarrecidos. Após encher o copo, I passa-o para II. Este serve-se da mesma maneira, passando o copo para III e assim por diante.

    Todos os improvisadores de número par, após terem passado o copo adiante, bebem à saúde do improvisador precedente (II com I, IV com III, etc.). Logo após, jogam a água do copo, com jato fino, num balde, dando início a um diálogo ("bla bla blá") com qualquer instrumento.

2ª Rodada:

    I ao receber o copo de volta, interrompe o diálogo, serve-se de novo da água e passa o copo para II, com a diferença de que os números pares após beberem à saúde e esvaziarem o copo, não dialogam mas iniciam uma discussão.

3ª Rodada:

    Os participantes servem-se, passam adiante, bebem à saúde do outro e esvaziam o copo, como nas duas rodadas anteriores. Brigam mais violentamente com todos os instrumentos disponíveis (batendo no chão). No clímax, ato de violência: sacola com vidros, garrafas, chaves, claves, etc. é batida no chão; ou são chacoalhados os diferentes instrumentos amarrados entre si .

 

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