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ENCONTRO COM ARTHUR NESTROVSKI
Entrevista realizada para Cadernos
de Estudo por Carlos Kater e Sílvio Ferraz (São
Paulo, set/95)
CE - Quais
são os paralelos que você vê atualmente entre música
e literatura entre música e poesia, naquilo que se faz
atualmente em S.Paulo, e em outros centros importantes
do Brasil?
AN - Eu acho
que, curiosamente, se há paralelos, a meu ver eles estão
hoje mais na área da crítica e da teoria do que propriamente
da criação. Eu não vejo muito paralelo na composição
e na poesia, principalmente no Brasil. Mas o que vejo,
e vocês conhecem isto bem, é que nos últimos 5 ou 6
anos a musicologia finalmente acordou de um sono de
pedra. Parece que realmente descobriram que a análise
musical pode ser alguma coisa além da engenharia das
formas. E, o que está acontecendo muito tardiamente
- mas saudavelmente com todos os excessos que já eram
previsíveis -, a crítica musical (no sentido que o termo
tem quando falamos de uma crítrca literária ou crítica
poética e não da resenha de jornal), ou melhor a musicologia
e análise está se transformando precisamente em crítica
- em pensamento crítico - e fazendo uso daquilo que
já é totalmente absorvido em áreas como a crítica literária,
estudos da mulheres, estudos culturais, mesmo o direito,
a história, a filosofia, várias áreas das ciências humanas
que, há pelo menos 15 ou 20 anos sofreram transformações
bastante marcantes nas suas estruturas mais básicas
de pensamento. Por algum motivo a música ficou de fora
deste processo até muito pouco tempo. Hoje, acho que
já é estabelecido, certamente em países como os Estados
Unidos e a Inglaterra, no Brasil começando a se manifestar,
uma outra espécie de pensamento sobre a música que me
parece muito mais afinada com o que tem de mais interessante
nas outras ciências humanas do que era até então. Este
paralelo sim, acho que é rico, visível nos livros que
vêm sendo publicados nas editoras de ponta em diversos
países, são livros que pertencem, por assim dizer, ao
mapa cultural geral deste nosso momento.
CE - Mas e
quanto à composição mais especificamente, como você
colocaria este paralelo?
AN - Quanto
à composição eu não sei se há um paralelo direto com
a poesia. Eu, sinceramente, não vejo. Para haver o paralelo
precisaria haver composição de forma muito expressiva
na cultura brasileira, para que a gente pudesse antes
de mais nada começar a pensar em paralelos entre a poesia
e a música. O primeiro descompasso entre as duas é que
a literatura sempre teve, e continua tendo, um peso
muito maior na cultura brasileira do que a música de
concerto. Elas existem já descompassadas até em termos
de representação cultural. E não me parecem estar num
mesmo momento de suas histórias.
CB - Deixando
de lado, digamos, considerações metodológicas, e pegando
por exemplo um momento particularmente fértil para a
história da música, que foi o trabalho realizado por
Willy Correia de Oliveira e Gilberto Mendes junto ao
Noigandres, os poetas concretos... Como você vê as interpelações
neste período?
AN - Antes
de responder gostaria de dizer que minha área de especialidade
não é a música brasileira nem a literatura brasileira
então minha observação é um pouco, talvez amadorística,
de alguém que está de fora. Mas, o mínimo que dá para
dizer é que esta geração conseguiu justamente aquilo
“cuja falta estava faltando”. Foi uma geração que por
algum momento, por alguns anos no Brasil, realmente
trabalhou em conjunto, em colaboração com a poesia.
A maior parte dos compositores que conheço atualmente
não têm esta relação com os autores que estão por aí.
Há romancistas no Brasil, há poetas de interesse, mas
nem todos os poetas procuram os músicas nem os músicos
os poetas. Eu não sei qual é o valor duradouro da música
que surgiu daquela geração. Desconfio que tudo somado
foi um conjunto de obras que teve uma influência, talvez
maior como movimento de pensamento - um fermento espiritual
-, do que propriamente como um conjunto de obras que
realmente se sustenta a longo prazo. E, não sei se tem
que se sustentar! Mas, acho que ela teve um papel muito
forte de agitação - de fermento cultural - que claramente
não estamos vendo hoje. Não sei se há motivos, ou explicações
sociológicas para isto. Talvez existam. O momento político
era diferente. Há uma pulverização de interesses muito
maior hoje do que havia então. Era mais claro na época
quais eram as batalhas. Eram batalhas comuns, tanto
estéticas quanto políticas. Havia lados a tomar e partidos
a assumir de uma maneira muito mais bem definida do
que hoje onde haja talvez um grau de escolha muito maior
que acaba provocando uma disseminação de interesses.
Uma certa diluição de interesses que talvez não gere
este tipo de momento comum. Eu me pergunto, porque por
exemplo, um poeta como Nelson Asher, artista de importância
atualmente no Brasil, um virtuose da forma que gosta
de música e, no entanto, não sei se é ele que não procura
os músicos ou os músicos que não o procuram; ou simplesmente
estão em histórias paralelas, vidas paralelas. Estão
literalmente em momentos muitos diferentes. Coisa que
não ocorre em outros países. Nos Estados Unidos há uma
colaboração entre poetas e compositores, muito mais
estreita. O caso clássico é o de John Ashbery e Eliot
Carter. A bem da verdade, acho que o Brasil está vivendo
um momento de transição onde grandes figuras da nova
geração podem até ter surgido, mas ainda não apareceram
com força de representação. Não há um John Ashbery da
poesia brasileira depois de João Cabral e os irmãos
Campos -homens, hoje com mais de 60 anos - assim como
não há um Eliot Carter de 40 anos. Há uma série de compositores
interessantes, mas nenhum despontou realmente como esta
figura que aglutina os interesses.
CE - Sim,
considerando-se sempre a dificuldade que temos ainda
de tomar contato com os artistas atuantes no Brasil
e suas propostas inventivas. Mas gostaria de voltar
a uma questão: é possível se considerar, na sua opinião,
que este contato do músico com a literatura, ou do poeta
com a música, seja reciprocamente interessante. Dentro
disto, como você acha que o músico poderia ter acesso
através da análise à criação que está embutida na literatura,
na poesia?
AN - Este
é um assunto que me interessa particularmente. Já faz
uns 5 anos, que venho trabalhando muito especificamente
tanto na literatura quanto na música - um período que
vai da Crítica do Juízo de Kant até O Mundo
Como Vontade e Representação de Schopenhauer, ou
seja 1790 até 1830. A meu ver, cada vez mais fica claro
que a primeira geração do romantismo seja na música
seja na literatura fez alguma coisa de novo em relação
à toda geração anterior estabelecendo as bases do que
se chama de modernidade até hoje. Há uma relação muito
pouco estudada e, na minha opinião mal compreendida,
especialmente no Brasil por motivos que já vou mencionar
e que têm a ver com aquela geração que falávamos. Há
uma relação mal compreendida entre modernidade e romantismo.
No caso do Brasil nós passamos muitos anos sem estudar
romantismo por que romantismo, no paideuma de Pound
e Elliot era a anátema. Era uma música descabelada,
era uma poesia de debutantes. É precisamente o oposto,
quando se estuda realmente a poesia, não só do final
do séc. XVIII, mas especialmente do início do séc. XIX,
o que vai se passar na literatura, no grupo dos românticos
alemães, na Inglaterra com poetas como Wordsworth ou
Colleridge, ou pouco mais adiante Keats e Schenlley,
na Alemanha com Hölderllin, na Itália com Leopardi:
é um fermento na Europa inteira. Na França um pouco
mais tarde, primeiro com Victor Hugo, e depois Bauldelaire
e a partir dele outros poetas. É, e é por isto que o
livro que preparei se chama Ironias da Modernidade,
ele aponta para os dois temas que a meu ver são os dois
temas cruciais, e que por assim dizer nos contém até
hoje, que são a questão da Ironia e a questão da Modernidade.
A palavra Ironia utilizada não no sentido do sarcástico
do humorístico, mas da maneira como os próprios românticos
definiam a palavra ironia, especialmente os alemães,
como uma forma de torção da linguagem sobre si mesma.
De consciência da linguagem sobre si mesma, de tal forma
que um texto se torna texto no momento em que ele se
vê a si mesmo como tal. E aí está o interesse desta
primeira modernidade: há uma coragem de ver a si mesmo
como tal, mas não fazer disto um espetáculo.
Isto me parece que é um momento inaugural.
Escrevi num texto que Beethoven foi o primeiro e último
moderno, que Beethoven nos contém. Foi o último moderno
por que até agora ninguém foi capaz de inventar, e não
acho que seja possível prever que a médio prazo alguém
seja capaz de inventar uma forma de música que já não
estivesse contida em Beethoven. Porque, o que é este
projeto? Por isto que eu estava situando ele em torno
da Crítica do Juízo de Kant, ou pouco depois
da Crítica do Juízo. Ali me parece que há um
momento de reconhecimento, em termos muito sucintos
de que a linguagem não dá conta da experiência, de que
a linguagem não dá conta mais do que Stanley Casell
chama de “uma habitação humana do mundo”. Fica claro,
para a filosofia como para os criadores, que não é mais
possível simplesmente, através da linguagem, ser capaz
de controlar a experiência. Esse é o momento em que
linguagem passa a se preocupar, por assim dizer, com
seus próprios limites, e faz disto sempre, tematicamente,
objeto da sua própria criação. O que me parece mais
interessante é que esse é um momento que, embora isto
tudo esteja explicitado, ao mesmo tempo não é o assunto
único exclusivo. Não é uma poesia apenas meta-reflexiva;
é uma poesia plenamente consciente deste processo, mas
que por assim dizer já amadureceu e é capaz de encenar
as narrativas todas, literárias e musicais, sem um trauma
maior do que já é. Esse tipo de processo de distanciamento
e retorno à própria composição, à própria poesia, me
parece característico da obra de Beethoven e da geração
que vem depois, certamente é característico da poesia
deste período.
CE - Há um
marco poético na virada do séc. XVIII para o XIX...
AN - Há uma
diferença muito marcante, muito importante, que acho
que os músicos reconheceram, a partir deste momento
passagem do pré-romantismo para o romantismo propriamente
dito, que é a seguinte: a poesia deixa de ter um assunto
fora de si mesma. Até aquele momento a poesia ainda
é uma questão de elaborar, com maior ou menor habilidade,
certas fórmulas, que são as fórmulas de fazer poesia,
para certos temas, que são os temas estabelecidos: códigos
de temas poéticos, como na composição toda a retórica
barroca e depois, existem certos temas e certas formas
de se trabalhar; e o papel do compositor ou do poeta
é muito mais o de um artesão, é muito mais o do engenho
e do virtuosismo na elaboração destas formas de fazer
música do que propriamente do criador no sentido moderno.
Não é a auto-expressão. O caso de Worsworth é exemplar
do que vai acontecer neste momento, em O Prelúdio,
cujo subtítulo é “A formação da mente de um poeta”,
o poema fala precisamente sobre sua própria construção,
coincide com um trabalho de memória que reconstitui
a formação da própria consciência. Isso é uma coisa
inédita, não existe literalmente na tradição inteira
da literatura européia até aquele ponto. Há a literatura
até o início do romantismo e de lá para cá é uma outra
coisa. Passa a ser uma outra espécie de quadro de composição
que ser absorvido pela música. Músicos como Beethoven
e Schumman estavam plenamente avisados do que se passava
na literatura, e respondiam a isso. O que me interessa
em Beethoven são as formas de composição, que chamo
de irônicas, e que correspondem a este tipo de torção
e reencenação da criação, que se dá na literatura do
mesmo período. Isso é um cenário de um período específico
que acho crucial, daria para se falar mais mas, respondendo
a sua pergunta: o que um músico ganha estudando poesia?
A mim me parece impossível você começar a entender a
música da modernidade sem se dar conta do que são esses
tropos retóricos que são trabalhados na filosofia e
na literatura deste período. Ao mesmo tempo que é difícil
entender o que vai ser a literatura um pouco posterior,
de meados até o final do XIX e início do XX, sem entender
o que é a relação dos próprios poetas e da literatura
com uma idéia de música. Uma idéia de música que os
próprios compositores vão assumir como uma espécie muito
particular de poesia. Neste período, 1790-1830, há uma
torção, uma transformação de 180 graus inclusive a hierarquia
das artes e na visão que os não músicos e os filósofos
vão ter da música.
Kant, na Crítica do Juízo, diz que a
música é mais uma questão de entretenimento do que de
cultura. E diz que a “música é progressão da sensação
à idéia vaga”. Outro aforismo deste período é de Samuel
Johnson, que dizia que “música é o método de se empregar
a mente sem nenhum trabalho de pensar”. Bom, pouco mais
tarde, na Estética de Hegel, a música já é a representação
da interioridade; ela passa a ser a expressão da interioridade
em si. Isso falando da música pura, da música instrumental
que é outra novidade daquele período. Até 1850 está
se brigando para defender a posição da música sem palavras
como alguma coisa inteligível. Neste período Hegel já
dizia que “a música torna a interioridade inteligível
a si mesma”, isso vai voltar na Suzanne Langer quando
diz que “a música é o nosso mito da vida interior”.
Com esta idéia ele usava uma palavra de cautela e dizia
que “a música atingiu o seu próprio estado, liberada
das palavras, mas iria necessariamente chegar a um ponto
de esterilidade”; ela se tornaria um discurso que não
levava a nada, um discurso só para especialistas. O
que é curioso é que pouco tempo depois, com O mundo
como vontade de representação de Schopenhauer, em
1830, a música já é considerada a mais alta forma de
poesia, expressão da vontade em si, o que há de mais
íntimo na natureza humana representado em estado mais
puro pelo gesto musical. O que me interessa é esta passagem,
num período de não mais de 40 anos onde a música passa
da mais baixa das formas de expressão artística (Kant
tem até mesmo uma hierarquia das artes) à mais alta.
Acho que isto tem a ver com a transformação da idéia
de linguagem, com a sensação de que a linguagem em si
não dá conta da experiência, e tem a ver também com
o que chamo de texturalização da composição.
CE - Você
poderia nos dar um exemplo dessa transformação na composição
musical?
AN - Em Beethoven
existe muito claramente uma forma de pensar a música
que é uma forma textual. Em dois sentidos, a elaboração
em si não é mais a cristalização de uma improvisação,
ela é uma peça composta da mesma forma que uma obra
textual; segundo, ela tem um componente textual mesmo,
como a análise pode mostrar, existem certas idéias numa
obra de Beethoven que são só idéias, que só são descobertas
analisando-se a partitura, são inaudíveis, não são para
ser ouvidas e no entanto são elas que organizam a peça.
Esta relação me parece muito rica, inaugural e crucial
para entendermos o que vai ser a modernidade desde então.
Eu diria que não é o que se pode aprender estudando
a literatura, mas que não há outra forma de entender
a música deste período sem estudar a filosofia e a literatura
do início do século XIX. É difícil entender certas posições
da poesia simbolistas sem termos consciência desta tradição
e da alternância de privilégios entre a composição e
a poesia.
CE - Há então
uma real inversão de posições frente ao que tínhamos
no final do séc. XVII...
AN - Sim.
A frase lapidar dessa inversão de posições é de Walter
Pater, que dizia que “todas as artes aspiram a condição
de música”. Inclusive a música, pois esta é uma condição
idealizada que não existe nem na música. Essa passagem
de valores entre as duas artes, a meu ver é absolutamente
crucial para que se compreenda o histórico e o que são
os processos de composição, poética e musical, na modernidade.
Para mim esse terreno se inaugura precisamente na passagem
do século XVIII para o XIX, e não do XIX para o XX;
de lá para cá há uma espiral de transformações, há um
refinamento e uma complexificação. Uma complexidade
cada vez maior deste processo acompanhado, isto é paradoxal,
mas acompanhado talvez de uma aparente ingenuidade cada
vez maior para o que são essas fixações lingüísticas
da modernidade. Nós temos a tendência a considerar o
romantismo uma forma infantil da modernidade; o século
XIX, por assim dizer, é a criança que se transforma
no século XX. Eu, cada vez mais, acho que é o contrário.
Na verdade, se formos ver os românticos alemães, um
compositor como Beethoven tem muito pouca coisa que
se pode ensinar a um compositor ou a um poeta destes,
e a sensação muitas vezes é a de que estão a nossa frente
e não nas nossas costas. Esse processo me parece fundamental
e acho que precisa ser entendido por músicos e por poetas.
Então minha é muito ambiciosa talvez: não há como estudar
um compositor sem ter consciência do que é o Witz na
literatura alemã, sem saber o que é a teoria da ironia
(palavra usada por eles mesmos: o conceito de ironia
de Kierkgaard, isso era para eles o que é a idéia de
“diferença” no nosso momento). Com certeza Schubert,
Schumman, Mendelsohn,mais adiante Wagner, Brahms, e
é uma ilusão - uma perversão da análise da escuta -
você deixar todo este componente de lado e se concentrar
sobre uma análise meramente formal, mesmo porque não
existe tal coisa.
CE - Vamos
considerar que ao se abrir mão de todas essas “ilhas
conceituais” é como se a estrutura do edifício fosse
abandonada e nos contentássemos em ficar com os apartamentos
no ar. Com as obras por si. Quando se ouve essas obras
hoje em dia, o contato é com um produto finito que foi
gerado há um ou dois séculos atrás, e de um modo geral
não se tem mais a visão conjectural, nem o código que
vai possibilitar a leitura. Diante disto a pergunta
seria, como então essas obras devem ser analisadas?
Como você vê a praticada análise da obra de Beethoven,
na ausência destes elementos que possibilitariam uma
decodificação mais próxima da realidade do projeto que
a originaram? De que forma pode ser considerado o nível
de perda, onde ele se situa?
AN - Sempre
me pareceu muito frustrante a análise formal. Para mim
ela é uma análise formalista no sentido estrito. O que
ela revela? Ela revela a organização estrutural da obra.
O que significa uma organização estrutural? Muito pouco
ou nada. Qualquer compositor minimamente treinado reconhece
o processo de composição e sabe, por assim dizer, como
montar um quebra-cabeças. Ficar anos a fio reproduzindo
quebra-cabeças sempre me pareceu muito frustrante. Você
entende como se faz esse jogo de composição e uma vez
entendido é importante para qualquer artesão saber como
se põe as peças no lugar. Mas, uma vez entendido isto,
passa a ser uma reprodução ad nauseum de um mesmo
processo contínuo de montar o quebra-cabeças. Deste
modo não existe obra em si, existe obras entre si ao
se desviar de outras obras anteriores que ela escolhe
como seu material. Para usar um exemplo concreto entre
muitos, se estudarmos uma obra como a Fantasia em
Dó Maior de Schumman, e isto é senso comum, você
não precisa de crítica literária para saber que Beethoven
é o assunto daquela fantasia, citado textualmente. Mas,
há um processo mais interessante, que é o processo de
construção da própria idéia do último movimento da fantasia
sobre o que é o ciclo de canções Ungheferne Geliebte
de Beethoven. Analisando formalmente uma obra e outra,
você vai ter o ponto de partida a partir do qual fazer
uma análise propriamente dita, que é um trabalho de
interpretação que vai procurar entender como uma composição,
como a de Schumman, constitui-se como tal a partir de
um desvio em relação a uma obra anterior.
CE - Poderíamos
pensar que as obras do presente recompõem as do passado,
ou melhor, atualizam as obras do passado?
AN - Sim.
Uma obra nova que tem a força para se instaurar como
uma obra está não só compondo a si mesma mas compondo
a obra anterior. Ela se instaura precisamente por que
tem a capacidade não só de criar o espaço para si mesma
na história da música, mas ela passa a ser a partir
daquele ponto um foco através do qual analisar as obras
anteriores também. Não está simplesmente servindo como
ponto de partida para as obras futuras, ela serve como
ponto de partida para se entender o que são as obras
do passado. Esta é a idéia de Borges, em Kafka e seus
precursores: “todo poeta cria seus precursores”. Mas
isso pode ser tratado com maior rigor, tanto na literatura
quanto na música, a partir do momento em que a se aceita
como um desafio a possibilidade de compreender as obras,
como dizia antes, não como se elas pudessem ter um significado
puramente formal e fechado em si mesmas, mas aceitando
que não existe tal coisa. Se preferirmos, nem existe
uma obra musical só existem obras entre obras musicais.
O que é o significado musical? Não existe tal coisa.
E estas construções de significado, não só podem se
beneficiar mas, a obra musical precisa da crítica para
se constituir a si mesma. Ela exige e cria a sua própria
crítica, porque esse movimento é um movimento que só
pode ser reconhecido através de um processo de interpretação.
Num período tão tardio, tão autoconsciente, tão voltado
sobre as suas próprias questões de formação, como é
este período da modernidade, isso é parte, a meu ver,
crucial do trabalho de escuta. Isso é o que se chama
de escuta e que não se resume à identificar seqüências
de tônica e dominante, áreas tonais, alguns intervalos
e inversões de intervalos que servem para organizar
uma peça. Se dizemos que uma sonata como a Hammerklavier
tem relações de mediante, isso não vai informar muito;
é verdade, é plenamente verdade, você olha para a partitura
e reconhece isso! E daí, o que se faz com isso? Que
significa isso em relação à uma sonata de Mozart ou
de Haydn? O que realmente está acontecendo?
CE - Retornando
a Beethoven. Como fica esta questão do compositor que
reinventa o passado?
AN - No caso
de Beethoven é ainda mais interessante porque ele é
o precursor de si mesmo. Um compositor de uma força
inaugural tão extremada que a partir de um determinado
momento as suas próprias obras passam a ser o ponto
de desvio das novas obras. Ele se torna precursor de
si mesmo. Absolutamente espetacular na sua apropriação
e desapropriação da tradição anterior e de reconstituição
de toda a tradição da composição européia a partir de
um ponto de vista que só pode ser chamado de “beethoveniano”.
Beethoven não só inventa sua própria obra, mas inventa
também a tradição musical do ocidente como toda uma
forma de composição beethoveniana. A partir dele toda
música é “beethoveniana”, ou pode ser vista como uma
forma “beethoveniana” de pensar a composição.
CE - Como
é que poderia ser uma análise da Hammerklavier,
por exemplo?
AN - Bem!
Eu nunca fiz uma análise profunda da Hammerklavier.
Mas, uma ilustração sucinta está no ensaio sobre Beethoven
(N.E. artigo publicado em CEAM). Há um momento na Hammerklavier,
no movimento lento, onde há uma nota repetida mais de
vinte vezes na mão direita (um movimento semelhante
ao que acontece no final da introdução do primeiro movimento
da Sétima Sinfonia, ou no final do “Adagio” da
Sonata op. 110, todos semelhantes). Nessas passagens,
a música estanca. Ela fica travada sobre uma única nota,
sem sustentação harmônica, sem nada. É como se a música
literalmente parasse e ficasse repetindo uma nota, que
pela própria repetição deixa de ter o caráter de uma
nota musical e depois de alguns segundos passa a ter
um caráter de puro som. Parece-me que o interessante
ali é a maneira como Beethoven é capaz de, a partir
de um ambiente musical plenamente significativo - cheio
de significado musical -, interromper este processo
de tal forma que ele regride a composição ao que é a
sua matéria mais bruta: o puro som. Aquilo nem música
é, é o material da música! Não é mais nada, é som. Logo
em seguida, numa transição que nem é uma transição,
uma transformação que não sei qual o termo para isso
- eu resisto em usar aqui a palavra “mágica”, porque
é uma palavra muito barata, mas está muito próximo disto
-, é capaz com o mínimo de meios, retornar esse som
bruto, esse “puro som” mais uma vez à natureza de significado
pleno. Esse processo, esse gesto - que é um gesto que
todo mundo conhece, um gesto característico da música
de Beethoven -, é exemplar precisamente do tipo de oscilação
irônica que se vê neste período. O que uma análise pode
fazer? Pode mostrar que esta idéia, da oscilação entre
significado e matéria que é precisamente a questão da
ironia - o reconhecimento da linguagem como uma construção
artificial e que não tem relação direta com as coisas
do mundo da experiência -, isto já está embutido de
tal maneira que Beethoven pode fazer um gesto quase
caricatural de um processo que é a própria idéia organizadora
desta composição. O outro exemplo: se ficarmos em Beethoven,
a sonata A Tempestade (op. 31, no
2) começa simplesmente com um arpejo. Um acorde arpejado
de Lá Maior - vamos chamar assim, como se não conhecêssemos
a peça -, e três notas. Já é típico de Beethoven a utilização
desses elementos que não são elementos melódicos, não
são nada, são os elementos mais básicos, mais primitivos
da composição. O que se ouve no início desta sonata?
Um acorde de tônica e as três notas deste acorde. Imediatamente
após, o que se percebe é que aquele acorde que aparecia
como tônica não é um acorde de tônica, é um acorde de
dominante. Já houve uma torção inicial. É o primeiro
acorde da peça, uma tríade, e já não o que se esperava.
Houve um movimento de reinterpretação daquele acorde
inicial de uma forma muito simples. Muito bem, isto
se repete em outra tonalidade e finalmente nós chegamos
ao tema. O que se percebe aí? Que a reinterpretação
é dupla. Porque então, aquele primeiro momento, aquele
primeiro acorde que parecia ser um acorde de tônica
não era, era um acorde de dominante, mas também não
parecia ser nada era simplesmente um acorde arpejado.
Na verdade o que se revela em retrospecto - e essa é
a palavra crucial -, é que aquelas primeiras três notas
pingadas já eram o tema. Na verdade, aquilo que aparecia
como uma coisa e não era, que não podia ser percebido
tematicamente, em retrospecto vai ser reinterpretado
duas vezes. Eu conto isto porque é um gesto muito simples,
quase trivial, mas que também serve como exemplo de
um outro processo - e isso sim uma análise da Hammerklavier
poderia fazer de uma forma, diria quase proustiana,
em grande escala -, que é o processo constante em Beethoven
de reinterpretação do próprio material. A elaboração
hierárquica de materiais musicais dentro de uma composição
está sendo continuamente reinterpretada. Os elementos
da composição estão reaparecendo com funções diferentes
daquelas que pareciam ter. Não é muito diferente do
que é ou que acontece com o romance de Proust; estamos
continuamente realizando reinterpretações dramáticas.
Mudanças da vida, onde reconhecemos que a coisa não
era absolutamente nada do que se tinha imaginado. Isto
está acontecendo dentro das obras de Beethoven; é uma
idéia tão forte quanto a de calcar uma composição inteira
à partir de um intervalo, ou da inversão de um intervalo.
CE - O que
seria uma análise com base na teoria da ironia?
AN - O que
a ironia está fazendo como figura, quer dizer, no destacamento
na linguagem de si mesmo, o reconhecimento deste destacamento
e a volta à linguagem, é realizado em termos narrativos
pelo seu complemento que é a alegoria. Uma análise de
uma sonata de Beethoven a partir do que é a teoria da
ironia e do que é a teoria da alegoria, parece ser muito
rica. Quer dizer, é uma outra forma de pensar esta composição
que precisa da análise formal mas não fica subjacente
a ela. Não se contenta meramente com a explicitação
de processos formais, mas procura entender o que isto
está criando em termos de construção de significado.
Examinando as figuras musicais propriamente ditas utilizadas
por Beethoven é possível reconhecer os gestos que utiliza
na sua relação com gestos de outras obras. Daí perceber,
na verdade, o que são as batalhas texturais e musicais
entre compositores e entre obras. Isso é um exemplo
concreto de como fazer este tipo de trabalho.
Existe uma outra questão, e eu não sei como
lidar com isso. O Stanley Cavell, que é um filósofo,
mas que recentemente tem escrito sobre música, tem um
capítulo inteiro sobre a questão da ópera e da voz,
no seu livro Pitch and philosophy (Harvard Univ.
Press). É muito interessante por que ele examina de
um ponto filosófico o que é chamado a questão da voz
na filosofia contemporânea: a fartamente estudada impossibilidade
de explicitação ou de determinação de origem do significado,
a predominância entre escrita e voz, a questão toda
da diferença em Derrida - aplicado a uma questão que
é a da voz musical. Em Beethoven isso é particularmente
difícil de entender, mas acho que era o que viria a
ser o texto do livro sobre Beethoven do Adorno, que
ele nunca escreveu, mas que está esboçado nos pequenos
fragmentos que escreveu sobre Beethoven. Ali há alguns
fragmentos onde ele aponta a dificuldade de entender
o estilo tardio em Beethoven e a forma como a cultura,
como a música trivial do final do século XVII e início
do XIX, penetra num discurso que também é um discurso
goethiano, shilleriano, e como essa mistura - essa polifonia
de tons e materiais diversos da cultura musical - vem
gerar uma forma muito particular de expressão, ou de
voz - para a qual não temos um nome ainda mas que, a
meu ver, é um tipo de controle da expressão musical
que está plenamente consciente das questões irônicas
e alegóricas implicadas na composição; e, que por assim
dizer, já está do lado de lá, já ultrapassou a fixação,
a fascinação ou a limitação dessa temática, já assimilou
a tal ponto que é capaz generosamente de criar uma forma
de expressão vocal sem palavras, para as quais realmente
nós não temos um vocabulário técnico e teórico que dê
conta. Mas, me parece que ali há alguma coisa de muito
interessante, e que quem trabalhasse com isso provavelmente
viria a tocar em questões cruciais, não só para a musicologia,
porém para a compreensão do que é a filosofia e a cultura
humanística do nosso momento.
CE - Pensando
a análise como um instrumental de apropriação, de formação,
de produção de conhecimento, o que seria a seu ver a
melhor maneira de realizar esta apropriação? Na ausência
de uma análise que consiga dar cabo desta relação ampla
do conjunto de obras que possa trabalhar com as diferenças,
onde se possa ter contato com grandes referências, o
que você acha mais estratégico hoje para se propiciar
este conhecimento? Mais radicalmente: é melhor não analisar
do que se lançar a este trabalho analítico do jeito
que vem sendo feito?
AN - A meu
ver uma análise é ou não interessante a partir de quem
está fazendo esta análise. Falar em teoria literária,
ou falar em filosofia e recomendar meia dúzia de livros,
não vai garantir que as análises serão mais ou menos
interessantes do que as que já estão sendo feitas. O
que eu diria, o que me parece ser prejudicial é a idéia
de que a análise formal - que foi praticada nos últimos
quarenta anos como a disciplina mais importante nos
departamentos de música - é crucial. E a idéia de que
ela é a análise mais importante para uma música me parece
equivocada. O trabalho de interpretação, de crítica
no sentido alto da palavra é o que é realmente importante,
e com esse trabalho não há método. É difícil para um
professor dizer isso, mas essa que é a verdade: não
existe método de análise. Existem inúmeras possibilidades
a partir da análise formal, a partir da filosofia, a
partir da crítica literária. Eu vou dizer alguns nomes
porque não custa a gente ter alguns parâmetros de obras
que foram importantes, como um exemplo mas não como
recomendação metodológica. Porque, a meu ver, o que
mais importa, no fundo, é a criação de um texto que
inventa uma obra musical de um modo interessante.
CE - O texto
recriando a obra musical... O que vem a ser esta interpretação
do seu ponto de vista?
AN - Não estou
recomendando aqui que se escreva qualquer coisa, aleatoriamente.
O texto vai ser tão mais interessante a medida que for
mais conseqüente. Para se ilustrar sobre música ninguém
vai ler fantasias livres sobre um determinado compositor.
Mas o que me interessa de uma boa análise é antes de
mais nada que ela seja capaz de criar aquela obra, ou
de transformar a minha audição daquela obra de uma forma
original, pessoal e forte. Depois, se ela está certa
ou errada não é o caso. O processo da criação de significado
que vimos nas obras musicais em relação a outras obras
musicais não é tão diferente do processo que faz um
grande crítico em relação a uma obra musical; ele também
se apropria da obra e faz uma outra coisa dela. Para
isso a única resposta honesta é a seguinte: do jeito
que der. Cada um faz do jeito que der. A minha frustração
com a análise formal tradicional é que ela é muito pobre
na geração de obras da maneira como descrevemos aqui.
Ela não inventa essas obras, a meu ver, com suficiente
força. Acho que existem certas obras, certos autores,
certos teóricos da literatura que me foram muito estimulantes,
e imagino que seja estimulante para outras pessoas a
partir da vivência dos melhores musicólogos da nova
geração - para não citar os nomes brasileiros, e não
deixar ninguém de fora - eles estão se valendo do trabalho
na filosofia, alguns por um lado, do que foi a tradição
da desconstrução Derrida e a partir de dele -, alguns
no caso do Cavell, procurando equilibrar de uma forma
muito sofisticada esta tradição de desconstrução com
a tradição alternativa de filosofia analítica (Witgenstein),
e na teoria literária, como ponto de partida o que foi
a tradição da crítica desconstrutiva dos anos 70 (como
Paul de Mann - existem pelo menos dois livros do De
Mann que são leitura obrigatória, livros muito marcantes:
Blindness and Insight e Alegories of Reading).
Há autores, como Harold Bloom, que têm uma visão muito
particular da desconstrução. J. Hille Smiller, que trabalha
com a questão de ética da leitura, se refere às responsabilidade
que tem um comentador face às exigências do processo
de leitura. Mais recentemente esta tradição foi transformada
pela tradição dos estudos da mulher, o feminismo, como
faz Suzan Maclarry, por um lado, e pela tradição dos
estudos culturais de outro. Dentro deste enorme universo
acho que De Mann é um ponto muito importante. O que
me parece necessário, especialmente na musicologia brasileira
que está se iniciando hoje no assunto, é pelo menos
vasculhar esses volumes, passar os olhos, porque inevitavelmente
isso vai gerar entusiasmo, vai gerar idéias que não
posso nem prever quais sejam. Mas, pelo menos vão apontar
para a possibilidade de se desenvolver outras formas
de se fazer a análise musical, que parecem muito mais
estimulantes, muito mais ricas, do que aquilo que tradicionalmente
se fez nas escolas de música - no Brasil e no Exterior
nos últimos trinta anos. E vão pelo menos nos criar
a consciência de que essa outra forma de análise não
é a única, que ela é muito boa para gerar certo tipo
de significado sobre as obras e nada mais.
CE - Você
poderia dar um exemplo de boas análises que estão sendo
praticadas atualmente no domínio não musical?
AN - Um exemplo
que pode ser aplicado à música, como o fez Suzan Mclary.
Um tipo de análise possível vem sendo feito pelo estudo
de gênero, neste caso sexual. O ponto de partida é,
seguindo a tradição de De Mann transformada, o reconhecimento
de certas figuras de linguagem que servem para organizar
um texto. Cada texto pode ser percebido como sendo organizado
a partir de certas figuras básicas. Quer dizer, não
é a narrativa temática do texto que conta, mas que tipo
de pensamento está organizando aquele texto, que forma
de pensamento o está organizando. Esta forma pode ser
uma ou duas figuras básicas lingüísticas, que servem
como instrumento de narrativa. O interessante é quando
se percebe essas figuras - vamos dizer, a “torção irônica”.
Vou dar um exemplo bem concreto, um livro publicado
este ano pela Iluminuras que se chama Centúria,
de um escritor italiano chamado Giorgio Manganello.
São cem pequenas narrativas, que ele chama de cem romances,
cada um com uma página em média. Eles são muito engraçados,
mas depois que se lê quarenta ou cinqüenta deles, percebe-se
que existe uma forma de torção particular da narrativa
que se repete. Então se poderia concluir toda uma interpretação
daquele texto tentando identificar exatamente que forma
de pensamento está estruturando aquele texto e de que
maneira ela se relaciona ao que são os temas. Não se
pode deixar de fora o que é o tratamento temático. Existem
homens e mulheres na história e isso vai ser importante
ao se compreender que espécie de pensamento está organizando
aquilo que é a narrativa desses homens e mulheres. A
partir deste ponto é possível então se preocupar com
o que é a delimitação genérica, sexual, das personagens,
das figuras masculinas e femininas no texto. A Suzan
Maclary faz precisamente isso analisando a Terceira
Sinfonia de Brahms. Parece muito estranho, é numa
antologia chamada Musicology and Difference,
organizada por Ruth Solie (University of California
Press). Ela tenta identificar certos gestos básicos
da organização do primeiro movimento da Terceira
Sinfonia de Brahms de uma maneira muito semelhante
ao que eu estava descrevendo como organização literária.
O que ela reconhece então é o parentesco dessas figuras
com certas figuras orientalizantes da música do século
XIX que estão mimetizando figuras orientais e que vão
aparecer, por exemplo, na música de Berlioz, Saint Saens,
Liszt. E perceber como ela não é só orientalizante,
mas perceber como essa figura está ligada a toda uma
interpretação feminina na literatura do século XIX.
Então existe um gesto, que é um gesto sexual, dentro
da construção da sinfonia. Parece muito estranho até
se ver realmente o que ela está fazendo com isso. E,
o tipo de construção analítica, certa ou errada, eu
não sei, - e não há quem não saiba que Brahms tinha
problemas de ordem sexual e não há por que imaginar
que isso não tenha transparecido para dentro de uma
composição de uma forma altamente sofisticada e musicalmente
conseqüente. Mas é uma possibilidade de geração de significados
desta obra diferente do que se fez até aqui que está
em sintonia com as tendências predominantes que regem
os movimentos nesta virada de século.
Arthur Nestrovski é doutor em literatura
e música (University of lowa, EUA), professor no programa
de pós-graduação em Comunicação e Semiótica e coordenador
do Centro de Estudos da Cultura da PUC/SP. Autor de
Debussy e Poe (L&PM, 1986) e organizador
de riverrun - Ensaios sobre James Joyce (Imago,
1992), tem ensaios publicados nas antologias Perspectives
on Musical Aesthetics (Norton, 1994) e Artepensamento
(Companhia das Letras, 1994), e nas revistas James
Joyce Quarterly, Perspectives of New Music,
TriQuarterly e Revista USP, entre outras.
Colaborador do jornal Folha de S. Paulo
desde 1992, é também editor-assistente da Imago Editora,
onde dirige a Coleção Lazuli (poesia e ficção) e a Biblioteca
Pierre Menard (teoria literária).
Seu novo livro, Ironias da Modernidade -
Ensaios sobre Literatura e Música será lançado no
próximo ano pela Ática. Outras publicações no prelo
incluem um ensaio sobre tradução, em Rivisti
e Libri di ltalia, uma tradução e apresentação
da novela “A Madona do Futuro” de Henry James
(Revista Imagens, Unicamp, dezembro de 1995)
e uma edição, com apresentação e notas de A Renascença,
de Walter Pater (Imago, 1996).
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