PARA UMA ANÁLISE ORIENTADA A OBJETOS

Didier Guigue

1. A sonoridade: dimensão da composição, ficção da análise musical

Considerando que as propriedades imanentes de uma obra musical, tal como se encontram codificadas na partitura(1), podem ser evidenciadas em vários níveis, do mais elementar ao mais compósito - “compor” não é afinal outra coisa senão organizar a heterogeneidade dos componentes do sonoro -, constata-se a dificuldade da análise musical em produzir, para o estudo da articulação dos níveis mais complexos, estratégias de apreensão e de abstração tão rigorosas como as que foram desenvolvidas para a articulação dos componentes elementares do sistema de organização das alturas em particular. Tipicamente, o pensamento orientado a objetos sonoros, primordial na atividade composicional do nosso século, desde Debussy, é raramente levado em conta de uma forma outra que muito genérica, quase sempre fundamentada num postulado não demonstrado de dependência à articulação dos punctum et contrapunctum, considerada praticamente como o lugar único da expressão do pensamento musical(2).

Circunscrito, num primeiro tempo, ao corpus paradigmático que a literatura para piano representa(3), o nosso projeto pretende trazer à luz a natureza e a articulação formal do que passaremos a chamar de objetos sonoros, e as relações que eles mantêm com a configuração dos componentes elementares. Para isto, estabelecemos as bases de uma estratégia de avaliação seletiva do material, com o fim de produzir as informações cuja pertinência para a descrição da configuração e concatenação destes objetos teremos determinado.

Uma releitura prévia da partitura se torna necessária, com a finalidade de reconfigurá-la na forma de uma seqüência de objetos sonoramente homogêneos. Esta segmentação se baseia num princípio de ruptura de continuidade em qualquer nível(4): rupturas macro-formais (pausas, fermatas), interrupções de pedais e/ou de ligaduras de articulação, rupturas de continuidade nas intensidades, nos registros, nas configurações rítmicas, as densidades, etc. Os critérios são neutros em relação aos princípios de organização periódica adotados pelo compositor, o que não impede a sua eventual coincidência, principalmente num nível hierárquico elevado. Esta independência é todavia fundamental para poder avaliar as relações instauradas entre este nível superior de organização e os níveis sub- ou adjacentes. Cada um dos segmentos resultantes é em seguida transcodificado em Midi-fiIe para exportação na plataforma informática onde são implementados os algoritmos específicos.

2. Informática aplicada à composição e análise: integração, interdependência

Patchwork é um conjunto modular de softwares concebido a priori para a composição, desenvolvido no IRCAM, Paris(5). O paradigma de Patchwork é baseado na programação funcional, por meio de patches gráficos, visando proporcionar aos compositores uma ferramenta potente, sem necessitar o domínio de uma linguagem informática. A sua arquitetura extensível e aberta, e sua capacidade em interagir com o conhecimento, permitem em tese o tratamento crítico dos resultados produzidos a partir das formalizações do compositor, proporcionando uma interação permanente e em “tempo real” entre a criação e a sua análise.

Como exemplo, os algoritmos desenvolvidos para o presente projeto poderiam constituir, além da utilização específica que fazemos, a base de uma biblioteca de módulos de avaliações quantitativas e/ou qualitativas, que poderiam ser convocados a qualquer momento do processo composicional.

Os módulos dessa biblioteca são intercomunicantes - entre si e com os patches específicos de composição, dos quais eles extraiam as informações pertinentes, e/ou para os quais eles retornam os resultados das avaliações. Eles se subdividem em quatro categorias:

(1) módulos de leitura, tais como: importação de dados (Midi-files e outros formatos), parametrização, classificação dos mesmos (em particular, separação/ordenação das informações relativas às notas, às intensidades, às durações).

(2) módulos de tratamento de dados, cada um tomando conta de uma dimensão específica da configuração dos objetos, visando, primeiro, a quantificação e/ou qualificação do número, da natureza e do peso respectivo desta dimensão, para, em seguida, avaliar a dinâmica formal gerada pela continuidade ou descontinuidade sonora relativa desses objetos.

(3) módulos de auxílio inteligente à análise, incorporando “regras” parametrizáveis, onde são confrontadas as estruturas analisadas, as quais, em retorno, podem enriquecer ou modificar(6).

(4) módulos de representação dos resultados (outputs gráficos ou listings exportáveis para programas de processamento estatístico ou gráfico). O maior número possível de representações analíticas - prolongações de Schenker, árvores hierárquicas, unidades métricas concatenadas, etc. - deve ser accessível.

3. Princípios da avaliação das qualidades sonoras

De acordo com a descrição que acabamos de fazer, cada componente pertinente para a análise funcional das sonoridades tais como configuradas na partitura, corresponde a um módulo Patchwork incorporando os algoritmos necessários à avaliação quantitativa e/ou qualitativa da implicação deste componente na configuração sonora própria ao objeto analisado. A informação que serve de fundamento para esta avaliação, é a taxa de complexidade relativa que o compositor aplicou ao componente. A complexidade máxima corresponde à configuração que produz a sonoridade a mais “complexa” possível - na área de atuação do componente. Neste caso, a ponderação participativa atribuída a este componente é de 100%. Na outra extremidade, as mais simples configurações são as que geram as sonoridades as mais “simples” possíveis.

Naturalmente, o significado das noções de “simplicidade” e “complexidade” varia em função da natureza do componente de referência. Assim, falando em densidades, a escala qualitativa de avaliação vai do “vazio” à “saturação”, a das distribuições pode ir, por exemplo, da “mais estrita regularidade” à “irregularidade máxima”, enquanto a escala de cálculo da extensão do âmbito é quantitativa (no piano, de 1 até 87 semitons). Diremos então que por definição, a qualidade sonora de um objeto é diretamente proporcional à complexidade relativa da sua configuração escrita.

A complexidade máxima se torna o referencial para o cálculo da taxa de implicação do componente na configuração da complexidade sonora global. O resultado é sempre, portanto, um valor relativo(7). A vantagem é que somente uma avaliação relativa permite uma análise comparada de objetos heterogêneos. O exemplo abaixo [Ex. I] mostra que a comparação das densidades absolutas desses três objetos (3 cada um) não proporciona uma descrição da seqüência das qualidades sonoras, justamente porque a evolução desta qualidade, de um objeto ao outro, não depende dos números de sons que eles contêm, mais sim, da relação entre este número, e o número de sons que eles deveriam conter para ocupar a totalidade do seu âmbito, isto é, para satisfazer à condição de complexidade máxima. É a fatorização destes dois números - respectivamente (0.5), (0.2) e (0.08) - que permite evidenciar uma dinâmica de rarefação. Diríamos no caso que a qualidade da densidade diminui progressivamente(8). Portanto, achamos fundamental que a totalidade dos componentes implicados na configuração sonora dos objetos pudesse suportar uma quantificação neste paradigma de complexidade máxima. Heterogêneos por natureza, é somente nesta condição que eles podem ser interconectados num network homogêneo e hierarquizado.

Exemplo I -- Taxa de ocupação espacial de três acordes.

4. A nota e o som

A descrição da sonoridade de um objeto passa, em primeiro lugar, pela avaliação da qualidade sonora intrínseca de cada som que o constitui. Os dados fornecidos pelas pesquisas científicas em acústica do piano nesses últimos trinta anos(9) apontam para um comportamento típico, o qual pode ser reduzido a um princípio de decrescimento ponderado da complexidade dos espectros, proporcional à altura da freqüência fundamental, segundo o qual a complexidade espectral das notas de piano diminui quase linearmente do grave ao agudo. Este comportamento pode ser modulado até um certo ponto por várias ações via o interface do instrumento, em particular a velocidade dada ao martelo, que controla a quantidade e intensidade relativa dos harmônicos que vão incidir na qualidade sonora audível da nota produzida. O método de releitura da partitura começa portanto com a codificação dessas duas informações, resultando para cada objeto num valor q quantificando a qualidade sonora média relativa dele, em função dos binômios notas/intensidades que o compõem.

5. A rede dos componentes da sonoridade

Nós recorremos a uma interpretação metafórica da técnica de síntese sonora por modulação de freqüência (FM-synthesis(10)) para representar o network dos componentes e as modalidades de suas interações. Em conformidade com este modelo, cada um deles se define de acordo com a sua função dentro da rede: função ativa (componente modulador), passiva (componente portador), e sintética (componente resultante ou composto).

Os componentes são classificados em duas grandes categorias, correspondendo por convenção de representação gráfica a um dos dois eixos cartesianos. O eixo S das ordenadas agrega os vários componentes relativos às características de repartição “espacial”dos binômios: SPACE que avalia o espaço pianístico ocupado pelas notas que contêm o objeto, é modulado por S-FILL que checa as modalidades de ocupação deste espaço; a síntese desta interação é contida no composto SPECTRUM, o qual pode ser por sua vez modulado por EXOGENICS cuja função é de incorporar à avaliação final as alterações qualitativas devido à utilização dos pedais ou de acessórios exogêneos. O eixo T pondera S em função, de um lado, da avaliação quantitativa do lapso de tempo ocupado pelo objeto (SPAN), e de outro lado, das modalidades de ocupação deste tempo (S-FILL).

A representação simultânea, num espaço geométrico bidimensional, dos valores obtidos sinteticamente em cada uma das duas categorias para uma série de objetos, permite de retratar visualmente o grau e a amplitude dos contrastes sonoros escritos pelo compositor [Exs. II e III].

Exemplo II - Uma seleção de 25 objetos sonoros (rotulados em ordem seqüencial, de 1 até 54), característicos do Étude pour les Sonorités opposées de Debussy, dispostos espacialmente em função das complexidades relativas de distribuição dos sons: (1) no espaço pianístico (eixo S) e (2) no tempo (eixo T); para exemplificar a funcionalidade deste tipo de representação, três objetos no início da obra (1, 3, 5), correspondendo respectivamente aos cps. 1-2, 4 e 6 (cf. Ex. III, a seguir) estão conectados aos eixos e evidenciam assim uma dinâmica de decrescimento das complexidades sonoras, nesta fase inicial.

Exemplo III - Os objetos 1, 3 e 5 do [Ex. II] (respectivamente cps. 1-2, 4 e 6 do Étude).

6. A informação dos componentes compostos

Os compostos descritos acima são o produto da interação de componentes situados a um nível hierárquico subjacente. Entre eles, somente aqueles situados no primeiro nível têm condição de recolher e avaliar informações provindo diretamente do Midi-file. Chamamo-os de intérpretes. Cada um deles corresponde a um módulo algorítmico retornando valores capazes de informar os componentes do nível imediatamente superior. Os intérpretes estão organizados também em pares portador/modulador. O diagrama apresentado a seguir [Ex. IV] reproduz a estrutura completada rede:

  • em cima, os elementos da partitura necessários para informação dos módulos (entradas IN(11));
  • abaixo, em itálicos, a rede dos intérpretes configurando cada componente de síntese. Os portadores são representados dentro de caixas quadradas, os moduladores, de caixas ovais. A seta indica o sentido da interação. As conexões sem seta apontam o componente de síntese resultando da modulação;
  • em negrito, obedecendo às mesmas convenções gráficas, esses componentes de síntese.

Exemplo IV - Rede integrada dos componentes implicados na configuração sonora de um objeto O.

Nós iremos descrever de forma sucinta os intérpretes. Eixo S:

  • ambitus: âmbito relativo, i.e. a taxa de ocupação da tessitura total do piano;
  • registration: ponderação relativa ao número de regiões (registros pianísticos) que o objeto ocupa, de acordo com a qualidade acústica específica a cada uma delas;
  • s-density: densidade relativa de ocupação espacial, i.e. número de notas, comparado com o máximo possível, dentro do âmbito próprio ao objeto;
  • s-linearity: taxa de linearidade da distribuição das alturas no interior deste espaço, calculada a partir de um paradigma de equidistância interválica;
  • sonance: taxa de dissonância relativa, estabelecida por cada intervalo, segundo critérios psicoacústicos (a banda crítica principalmente) e cognitivos (a dissonância comumente admitida entre os intervalos);
  • peds: taxa de incidência dos pedais na sonoridade global.

Eixo T:

  • span: duração do objeto, relativamente à duração do maior objeto;
  • t-density: densidade relativa de ocupação do tempo, i.e. número de eventos em seqüência, comparado ao maior número possível;
  • t-linearity: taxa de linearidade de distribuição de eventos ao interior do span, com base num paradigma de eqüidistância interválica;
  • p-direction: perfil direcional relativo, i.e. direção global do envelope das alturas; o paradigma de referência é a unidirecionalidade absoluta:
  • v-envelope: taxa de desvio do envelope das amplitudes, em torno da amplitude mais freqüente, ou, se não houver, da média.

7. O objeto sonoro e as demais dimensões da realização musical

Como exemplo aplicativo, analisamos as qualidades sonoras dos treze objetos (ou “seqüências” na terminologia própria do compositor) que constituem a seção “Texte”, parte do movimento “Trope” da Troisíème Sonate de Pierre Boulez(12) [cf partitura anexada, Ex. V]. O listing dos valores sintéticos finais fornecidos pelo conjunto completo dos componentes descritos acima pode ser representado por um gráfico [Ex. VI].



 

Exemplo V - Seção “Texte”, parte do movimento “Trope” da Troisième Sonate de Pierre Boulez.


 

 

Exemplo VI - Uma representação das qualidades sonoras relativas dos objetos configurando a sequência Texte de Boulez.

Este torna aparente uma lógica formal arquetípica, que não se esperava a priori de Boulez: a primeira parte da seção conhece um crescimento progressivo da complexidade sonora média dos objetos, até um ponto culminante representado pelo objeto 10, situado aproximadamente nos dois terços da peça. A tensão dilui-se por conseguinte e a forma se recolhe finalmente sobre si mesma. Este esquema, bastante clássico(13), se organiza de forma não linear, através de uma dinâmica de oposições sonoras sistemáticas entre objetos adjacentes. Os principais agentes desta dinâmica estão apontados no quadro [Ex. VII].

pares

componente

desvio

componente

desvio

outros

01/02

peds

+55

p-direction

+32

 

02/03

peds

-55

t-linearity

-45

 

03/04

p-direction

+60

 

 

 

04/05

span

-79

t-density

+62

p-direction

05/06

t-density

-78

span

+59

registration

06/07

registration

+42

span

+33

 

07/08

peds

+44

span

-33

 

08/09

span

-45

t-density

+34

 

09/10

p-direction

-45

 

 

 

010/011

t-density

+55

registration

-33

 

011/012

S-axis

-65

t-density

-41

span, p-density

012/013

p-direction

+121

registration

+42

t-density, S-axis


Col. “pares”: pares de objetos adjacentes

Cols. “componentes”: os dois componentes para os quais observe-se os maiores desvios

Cols. “desvio”: este desvio, calculado ((nb-na)* 100), onde a e b são respectivamente o primeiro e o segundo objetos do par, e n o peso numérico atribuído ao componente pelo algoritmo

Col. “outros”: outros componentes nos quais o desvio é significativo (i.e. 0.30 +)

Exemplo VII - Quantificação e qualificação das oposições sonoras entre os objetos adjacentes do [Ex. VI].

A hipótese que uma análise deste tipo permite trabalhar é que a estrutura serial não determina por si só a forma articulando este movimento. Ela constitui tão somente o vocabulário básico do qual o compositor extrai elementos para construir objetos, cujo perfil e dinâmica são por sua vez determinados por postulados composicionais extrínsecos aos princípios seriais. Nós almejamos mostrar que é somente por meio de ferramentas metodológicas específicas que a sonoridade, como objeto da conceitualização composicional, fundamental na criação de nosso século, pode ser observada no seu papel como agente ou coagente da expressão da forma.

NOTAS

(1) Nós pressupomos conhecidos do leitor os postulados da tripartição analítica; nós focalizamos neste trabalho o nível “neutro” - a codificação escrita da obra -, excluindo, por razões de metodologia e por enquanto, as problemáticas de produção e de recepção.

(2) Sintomaticamente, a revista norte-americana “Musical Perception”, uma referência na área, trata quase que exclusivamente da percepção das alturas (pitches). A Set-theory, ferramenta utilizada comumente na análise das músicas não tonais, por focalizar exclusivamente as classes de alturas (pitch-classes), traz consigo a necessidade de adotar outras estratégias metodológicas para apreender as demais dimensões da res musica. BERRY, W., 1987: Structural functions in music, Dover, New York, e PARKS, R.S.: The Music of Claude Debussy, Yale University Press, New Haven & London, 1989 constituem bons exemplos de abordagens analíticas multimetodológicas.

(3) BIGET, M.: Le geste pianistique. Publications de I'Université no 117, Rouen, 1986.

(4) Duas das referências que nortearam a formulação das regras de segmentação do texto musical são: SCHAEFFER, P.: Traité des objets musicaux. Seuil, Paris, 1966, e LERDAHL, F. & JACKENDORFF, R.: A Generative Theory of Music, M.I.T. Press, Chicago, 1983.

(5) IRCAM: Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique. Patchwork: LAURSON, M., RUEDA, C., & DUTHEN, J., IRCAM, Paris, 1993. MALT, M.: Introduction to Patchwork. IRCAM Documentation, Paris, 1993.

(6) É neste grupo que poderiam ser incluídos programas de aprendizagem, de dedução, de redução inteligente das informações; cf LASKE et al., in BARONI, M., & CALLEGARI, L.: Musical Grammar and Computer Analysis. Olschki, Firenze, 1982; MINSKY e GREUSSAY, in: Quand, Quoi, Comment, la recherche musicale, Bourgois, Paris, 1985; FERNEDA, E., et al.: “A System for Aiding Discovery in Musical Analysis”, in Anais/l Simpósio Brasileiro de Computação e Música, UFMG, B. Horizonte, 1994; et al.

(7) Praticamente, este valor provém da fatorização de dois números, o valor observado para o objeto analisado dividido pelo valor máximo possível, sendo o resultado um real entre (0) e (1).

(8) Obviamente, esta observação deve ser cruzada com outros parâmetros de avaliação, para se obter uma descrição pertinente da seqüência sonora.

(9) cf. p. ex. SUZUKI, H., & NAKAMURA, I.: “Acoustics of Piano”, Applied Acoustics no 30, 1990. As características acústicas dos sons de piano, a sua variação de acordo com a altura, e a incidência da velocidade no resultado sonoro foram modelisados com várias equações que não serão descritas aqui.

(10) CHOWNING, J., & BRISTOW, D.: FM - Theory & Applications, Yamaha Music Foundation, Tokyo, 1988.

(11) N: notas (em código Midi): P, UC: indicações de pedais; Dmax: duração do mais longo objeto; Tpo: tempo; ons: onsets (i.e. posição na seqüência dos eventos constituindo o objeto; d: duração de cada evento; q: valor de q [vide seção 4]; V: velocidade (i.e. intensidade, em código Midi). A unidade de pulsação é de 40 por semínima.

(12) Universal Edition Ltd, London, 1961.

(13) Não é provavelmente por acaso que este esquema retoma uma fórmula tipicamente debussysta [cf HOWAT, R.: Debussy in proportion, a musical analysis, Cambridge U.P., Cambridge, 1983].


Didier Guigue, natural da França, formado em piano e fagote, possui Mestrado em Ciências e Tecnologia da Música pela Universidade de Paris-VIII, e está concluindo Doutorado em Musicologia do Séc. XX no IRCAM (diploma da École des Hautes Etudes en Sciences Sociales, Paris), orientado por Hugues Dufourt. Professor assistente no Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba, atua também como compositor e intérprete, tanto na área da música brasileira popular como erudita.

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