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compositores analisam suas
próprias obras
Todos os textos veiculados nesta seção não são objeto
do tratamento editorial usualmente praticado por Cadernos
de Estudo.
Incidem aqui, de maneira geral, apenas a diagramação
e a revisão, no entanto, sempre atentas no sentido de
não descaracterizarem a forma particular de expressão
de seu autor.
Visa-se com isso oferecer aos leitores informações
mais substanciais que, afora aquelas relativas à obra
analisada, apontem para além do exclusivo conteúdo.
Assim, com uma deliberada acentuação da côr
documental, pretendemos que cada texto, ao ter preservado
o pensamento e o estilo expressivo de seu criador, esteja
mais próximo de poder contribuir para o esclarecimento
de um amplo universo, ainda mais rico e complexo do
que aquele gerado seja pela obra seja pela análise em
si.

Canções do Alheamento 5,
considerações
Considerações
L.C.Csekö
Canções do Alheamento 5 é a antepenúltima
obra do ciclo que alternadamente e às vezes simultaneamente
intitulo “Songs of Oblivion” (“Canções do
Alheamento”), cujos denominadores comuns são o próprio
título e três citações(1), de Fernando Pessoa,
Dylan Thomas, Neyl Young, respectivamente.
Esta obra foi encomendada em Fevereiro de 1992
pelo Duo Diálogos(2), tendo sido composta
e entregue nas últimas três semanas do mês seguinte.
Naquele ano, Canções do Alheamento 5 foi selecionada
para o Festival Pro-Musica (Bremen/Alemanha), Festival
Aspekte (Salzburg/Áustria), Festival D'Orleans (Orleans/França),
Radio Bremen (Bremen/Alemanha) em cadeia internacional.
Em 1993, participa do Festival Música Nova de São Paulo
e é objeto da monografia “Canções do Alheamento 5
em suas performances no Centro Cultural Banco do Brasil
- Uma análise sócio-semio-musicológica de um texto espetacular”,
da Profa. Regina Márcia Simão Santos (UNI-RIO), apresentada
ao prof. Dr. Milton José Pinto, do Curso de Semiologia
dos Discursos - O Espetáculo (Imagem II), Doutorado
em Comunicação/ECO-UFRJ.
A concepção de interfaces entre música, luz/sombra,
movimento, espaço cênico e espaço acústico constitui
a estrutura básica de todo meu trabalho. A elaboração
de uma linguagem de iluminação, de intervenções no espaço
cênico, da utilização do espaço acústico e da ampliação
e ênfase dos movimentos necessários à produção e propagação
do som sempre esteve presente desde o estágio mais incipiente
da minha produção.
Canções do Alheamento 5 é uma peça metálica.
Vibrafones e agogôs explicitam a intenção percussiva,
invadem sistematicamente, às vezes via dinâmica, outras
timbre, vários momentos da obra, sempre porém rigorosamente
contidos para não sobrecarregarem o contexto local e
sobretudo não saturarem a tímbrica e a rítmica da peça
como um todo. O trabalho com as peles confirma a tímbrica
metálica da obra. O estalar da percussão - metalicamente
- sobre o aro dos tambores funciona também pontilhisticamente,
contrapondo-se ao grande volume de massa dos tímpanos,
conferindo-lhes contorno e proporção.
Uma das características da textura geral da obra
é a rarefação, a busca de um esgarçamento do tecido
sonoro, visando uma transparência, uma perda de peso,
uma leveza que jamais beire a inconsistência. Este esgarçamento
intencional torna-se evidente ao compararmos esta peça
com “Volume em Sombras” ou “Songs of Oblivion
3”(3).
O uso de sons sustentados é outro aspecto marcante
da obra. Esta sustentação é obtida pelos silvos
produzidos via fricção nas placas dos vibrafones, apitos
e longos rulos. Uma das várias razões para o emprego
de apitos - além da mais importante, a tímbrica - é
o aspecto do apoio instrumental para a obtenção de sons
de longa duração, pois a fricção em percussão é por
natureza dada a interrupções e perda de volume.
A propagação do som pelo espaço de realização
do concerto é trabalhada especificamente ao serem definidas
três disposições do trio no teatro, criando assim três
possibilidades para o percurso inicial do som de Canções
do Alheamento 5 pelo espaço acústico. Um delicado
jogo de volumes sonoros é estabelecido através do transporte
destes volumes sonoros pelo espaço do concerto e da
formação de vários pontos de densidade sonora em locais
diversos do teatro. Células extraídas das grandes batucadas
carnavalescas de Salvador/Bahia flutuam, percorrem,
preenchem o espaço acústico, ora apoiadas, ora diluídas
pelo cantante glissar dos tímpanos sinfônicos.
A iluminação é elaborada com estreitos fachos
de luz amarelo-escuro e escuridão. O espaço visual,
geográfico, é radicalmente transformado com as três
possibilidades propostas para a iluminação. Os feixes
de luz são delineados, tornados espessos, volumosos
pela fumaça de palco e o fluxo de ar. Os fachos de luz
amarelo-escuro esculpem o sólido bloco negro da sala
em total escuridão. Uma articulação de movimentos é
obtida quando um foco de luz é direcionado especificamente
para os antebraços dos instrumentistas, que também recebem
instruções para realçar o contraste e exposição ao vestirem-se
de preto e desnudarem os antebraços arregaçando as mangas.
O procedimento de permear a peça com poucos
elementos que porém possuam um grande peso de identidade
- sem que estes elementos se tornem a própria estrutura,
direcionem sempre o fluxo do discurso (para si),
estabelecendo-se finalmente como centros gravitacionais
de todo arco temporal de acontecimento da peça - é encontrado
em todas as minhas obras. Este procedimento gera o que
chamo de relações de compactação e fugacidade. Pelo
seu grande peso de identidade (musical/extra-musical)
estes elementos empregados compactam uma grande quantidade
de dados, informações. Ao serem compostos como permeadores
e não como centros gravitacionais - explico, onde o
fluxo não gira em torno ou função deles, ao permear
evitando uma excessiva massa gravitacional (sem perder
a identidade) - estabeleço/estabelece-se um relacionamento,
um contexto de extrema fugacidade, atração e propulsão,
um tempo fluido e veloz, que a cada audição se torna
mais perceptivelmente fugaz.
Em Canções do Alheamento 5, contraposto
ao aleatório embutido na cronometragem (circa
5'), trigramas, notação gráfica, improvisação com elementos
determinados, escolha entre três disposições e iluminações,
há frases rítmicas fragmentadas, de grande precisão,
extraídas da música de rua (Afoxés, Batucadas) e da
música religiosa (Candomblé) de Salvador/Bahia.
Intervenções extremamente sincronizadas são
subordinadas ao aleatório do retardamento acústico implícito
em sons distantes espacialmente, geograficamente. A
peça flutua no escuro, através, ao redor, e transportada
pelas longas colunas de luz amarelo-escuro, nuances
de movimentos pontilhando a escuridão, um fluxo contínuo,
fugaz, células rítmicas, gradações dinâmicas, combinações
de altura e explorações tímbricas sempre interligadas,
tecendo uma estrutura claramente organizada, articulada,
maleável.
Canções do Alheamento 5 percorre/estabelece
assim célere, como todas as minhas peças, um curso de
colisão frontal com/contra o Tempo.
Notas
(1) Fernando Pessoa: “É preciso destruir
o propósito de todas as pontes. Vestir de alheamento
as paisagens de todas as terras. Endireitar à força
a curva dos horizontes. /.../” (“Hora Absurda”).
Dylan Thomas: “Old age should burn and rage at close
of day. Rage, rage against the dying of the ligth ./.../”.
Neyl Young: “It's better to burn out than to fade
away. /.../”.
(2) Duo Diálogos: integrado por Joaquim
Abreu e Carlos Tarcha.
(3) “Volumes em Sombras”: dois percussionistas/luz-silhueta/movimento;
“Songs of Oblivion 3”: dois percussionistas/luz
estroboscópica/movimento. As partituras destas, ou de
outras obras, podem ser obtidas junto ao compositor.

Luiz Carlos Csekö, compositor e educador
musical, nasceu em Salvador/Bahia, a 10 de Fevereiro
de 1945.
Bacharel em Música - Composição - pela Universidade
de Brasília (1970), estudou sob a orientação de Fernando
Cerqueira, Nicolau KoKron e Rinaldo Rossi (membros fundadores
do renomado Grupo de Compositores da Bahia)(1).
Como trabalho final de conclusão do curso apresentou
a obra “Córtex - Secções Transversais”, para grande
orquestra sinfônica.
Possui Mestrado em Música/Composição pela University
of Colorado/Boulder (1980), com créditos de especialização
de Columbia University/New York e University
of Minnesota/Minneapolis (EUA). Elaborou como trabalhos
finais para a área de Composição a peça “Fímbrias”
(Orquestra de Câmera) e para a área de Educação Musical
o estudo “Creation and Improvisation in Music Education
in High School”.
De 1973 a 1981 radicou-se nos EUA, tendo trabalhado
no Columbia-Princeton Electronic Music Studio,
com Vladimir Ussachevsky.
Csekö dedica-se de maneira intensa às atividades
de composição e de educação musical.
Compositor ativo e original, vem desenvolvendo
de forma coerente em suas obras uma linha estética própria,
onde a importância do humano e do social, crivam a temática
e os recursos cênicos, movimento e iluminação, configuram
seu caráter de espetáculo. A presença às vezes sutil
às vezes claramente notificada - mas sempre com um tratamento
de fina sensibilidade - de aspectos do universo sonoro
e não sonoro da realidade multifacetária dos grandes
centros urbanos brasileiros (como é o caso do Rio de
Janeiro), tornam suas obras receptáculos vivos de uma
problemática que ultrapassa os limites da música, em
sua definição usual. O vigor de tradições consagradas
e recentes, expressas no cotidiano cultural seja de
São Salvador, seja de San Francisco, reverbera no compositor
atento a seu tempo, e... Canções do Alheamento 5
é ilustração inequívoca disto.
Merecedor de prêmios e menções tanto no Brasil
quanto no exterior, pode-se destacar, entre as principais
referências de apresentação de suas obras: Concurso
de Composição, Instituto Goethe/UFBa (1971), 4o
lugar, com a obra “Gnosis - Five Windows Light the
Cavern'd Man”;
Concurso de Composição, Instituto Goethe/UFBa
(1971), 4o lugar, com a obra “Gnosis
- Five Windows Light the Cavern'd Men”;
VI Apresentação Anual de Compositores da Bahia
(1972), obra selecionada para apresentação “Chroma”;
Concurso Nacional de Composição promovido pela
Sociedade Brasileira de Música Contemporânea/Instituto
Goethe (1973), Menção Honrosa coma obra “Der Epilog”;
Concurso Nacional de Composição, Instituto
Goethe/UFBa (1976), finalista com a obra “Oscilações”;
Perspectives - New Music in America/Minnesota
Composer's Forum - Saint Paul Chamber Orchestra
(EUA), selecionado para integrar esta série com as obras
“Ambiência 1” em 1978 e “Azul Escuro”
em 1979;
Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea
(Lisboa/Portugal, 1982), obra selecionada para apresentação
“Ambiência 1”;
Festival Pro-Musica (Bremen/Alemanha, 1992),
Festival Aspekte (Salzburg/Áustria 1992), Festival D'Orleans
(Orleans/França, 1992), obra selecionada para apresentação
“Canções do Alheamento 5”.
Convidado em 1992 para apresentar composições
no “Pro-Musica Nova” (Alemanha), e em outros
festivais europeus, participa do panorama internacional
de música contemporânea. Nesse mesmo ano, a Radio
France (Paris/França) e a Radio Bremen (Alemanha)
selecionam músicas de sua autoria para difusão radiofônica,
em cadeia internacional.
Csekö cita como principais influências de seu
trabalho composicional (afora músicas folclóricas, populares,
jazz, rock e blues), as seguintes obras: Sagração
da Primavera (Stravinsky), Pierrot Lunaire
(Schoenberg), Elegia para as vítimas de Hiroshima
(Penderecky), Requiem (Ligeti), Missa de Note-Dame
(Machaut), Gran Partita (Mozart), Paixão segundo
São Matheus (J.S.Bach), Quartetos de Cordas (B.Bartok),
últimos Quartetos de Cordas (Beethoven), Prelúdios para
Violão, Chôro para Clarineta e Flauta (Villa-Lobos),
A Grande Cidade (Nicolau Kokron-Yòo, Quanta
(Fernando Cerqueira), Polivolume (Reinaldo Rossi),
4'33” (J.Cage), entre músicas de E.Varèse, H.Eimert,
L.Berio, Gilberto Mendes e Marlos Nobre.
Como educador desenvolve intensa atividade
em muitas cidades do Brasil, realizando palestras e,
em especial, conduzindo a “Oficina de Linguagem Musical”,
projeto educacional por ele desenvolvido, que utiliza
o processo de criação e a música contemporânea como
instrumentos de educação (público especializado e leigo,
adultos ou crianças).
Suas primeiras realizações nessa área datam
de 1970/71 quando, como professor de ensino médio, aplicou
a abordagem Oficina Básica de Música (OBM) nas
escolas de Ensino Médio das “cidades satélites” de Brasília.
Foi membro do grupo de estudos que acabou gerando a
OBM, no então Instituto Central de Artes/Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília,
em 1968-69(2).
A “Oficina de Linguagem Musical”, tal
como concebida por Csekö, foi ministrada pela primeira
vez em 1981/2, para intérpretes e compositores, nos
“Seminários de Música Pró-Arte” (RJ). Em 1983, a convite
da direção da área de Musicalização desse mesmo Seminário,
ele a adapta também para um público infantil. Desde
então a O.L.M. vem sendo realizada em diversas
cidades de praticamente todos os estados brasileiros,
sendo oferecida de maneira regular no Conservatório
Brasileiro de Música, nos Seminários de Música Pró-Arte
e Funarte/INM.
Suas várias palestras e comunicações em encontros
ou congressos, bem como seus textos escritos versam
essencialmente sobre esse trabalho integrativo de criação
contemporânea e educação musical, trabalho caracterizado
pelo desenvolvimento do potencial sensível e inventivo
humano, que tão singularmente Csekö vem efetuando por
volta de uma década no Brasil.
NOTAS
(1) Ver nota sobre o compositor Lindemberg Cardoso,
em: Cadernos de Estudo: Análise Musical,
no 2 (1990), p. 15, onde há breve referência
sobre o grupo.
(2) Para informações complementares, ver: ANTUNES,
Jorge. “Criatividade na escola e música contemporânea”,
in: Cadernos de Estudo: Educação Musical no1
(Ago/1990), pp. 53-61; em particular p. 56.
RELAÇÃO DE OBRAS
Orquestra Sinfônica
Córtex - Secões Transversais,
grande orquestra, luz, espaço (1971). [Inédita]
Chroma, para orquestra, luz,
espaço (1972). [Inédita]
Referente ao Tempo, para orquestra
(1974). [Inédita]
Banda Sinfônica
Songs of Oblivion 4, para grande
banda sinfônica, luz, espaço (1991). [Inédita]
Orquestra de Câmara
Oscilações, para cordas, sopros,
percussão (1976). Estréia: Ensemble Música Nova da
Bahia; Salvador/Bahia, 1976. [Possui Gravação]
Fímbrias, para cordas, sopros,
luz (1980). [Inédita]
Conjuntos de Câmara
Reflexos ou Os Olhos do Novo,
para barítono/recitante, fita magnética, octeto de percussão,
coro misto, luz (1970). Texto: poema de Hermenegildo
Bastos. [Inédita]
Gnosis - “Five Windows Light the Cavern'd
Man”, para soprano, trio de trombones, cordas,
coro misto, luz (1971). Texto: William Blake. Estréia:
Grupo e Coro de Câmara da Universidade de Brasília;
Brasília/DF, 1973.
Llegada, para barítono/recitante,
trio de cordas, flauta em Sol e em Dó, oboé e oboé d'amore,
clarineta e clarone, 2 percussionistas (1972). Texto:
poema de Nicolas Guillén. [Inédita]
Fusão, para trio de cordas, piano,
clarineta, trompa, luz, movimento (1972). [Inédita]
Der Epilog, para 4 vozes femininas,
2 vozes masculinas, amplificação, luz (1973). Texto:
poema de Günther Grass. [Inédita] (Possui também versão
para Coro à Capela)
Grave, para 2 conjuntos de tubas,
luz, espaço (1989). Estréia: Bruxelas/Bélgica, 1989.
Doces Texturas 2, para conjuntos
de flautas doces, luz (1989). Estréia: Grupo de Flautas
Doces do Festival de Inverno; Festival de Inverno, São
João del Rey/MG, 1989.
Situação Grave, para viola, violoncelo,
trombone, tuba, trompa, contrabaixo, luz, movimento
(1989). Estréia: Grupo de Câmara do Ciclo de Música
Contemporânea; Belo Horizonte/MG, 1989.
Coro à capela
Der Epilog, para coro misto a 6 vozes,
luz (1973). (Versão do original para 6 vozes solistas;
ver: Conjuntos de Câmara.) Texto: poema de Günther Grass.
Estréia: Minnesota Composers' Forum Choir; Minneapolis/Minnesota
(EUA), 1979. [Possui Gravação]
Voz de Ninguém, para coro misto
a 4 vozes (1989). Texto: poema de Ferreira Gullar. [Inédita]
Sound, para coro misto a 4 vozes
(1982). [Inédita] (Versão do original para voz feminina;
ver: Solos.)
Sextetos
Nuance 1, para percussão, luz
(1977). Estréia: University of Oregon Percussion
Ensemble; Eugene/Oregon (EUA), 1977.
Nuance 2, para percussão, luz
(1988). Estréia: PIAP - Grupo de Percussão do Instituto
de Artes do Planalto; Festival de Inverno, São João
del Rey/MG, 1988.
Quintetos
Fragma, para sopros (1974). Estréia:
Minnesota Composer's Forum Woodwind Quintet;
Minneapolis/Minnesota (EUA), 1979.
Metálica, para metais, trombone
solo, luz, movimento, espaço (1989). Estréia: Quinteto
de Metais Brasil, e Lulú Pereira (trombone); Rio
de Janeiro, 1989.
Quartetos
Couro de Gato, para 2
trombones, 2 percussionistas, luz negra (1980). Estréia:
Richard Roznoy e Larry Zola (trombones), Betty Smith
e George Weber (percussão); Boulder/Colorado (EUA),
1980. [Possui Gravação]
Graduação, para cordas, luz,
espaço (1989). [Inédita]
Songs of Oblivion 2, para trombones,
luz, movimento, espaço (1990). [Inédita]
Trios
Ambiência 1, para voz feminina,
piano, contrabaixo, luz (1972). Estréia: Margareth Smith,
Daryl Skoba, Leighton James; Minneapolis/Minnesota (EUA),
1978. [Possui Gravação]
Distâncias 2, para voz masculina,
trombone, percussão, luz, espaço (1989). Estréia: Eládio
Perez-González, Lulú Pereira, Joaquim Abreu; Rio de
Janeiro, 1989.
Canções do Alheamento 5, para
percussão, luz, movimento, espaço (1992). Estréia: Trio
Franco-Brasileiro (Carlos Tarcha, Joaquim Abreu,
Thierry Miroglio); Bremen (Alemanha), 1992.
Duos
Percussão:
Curva, para duo de percussão,
luz, sombra, movimento, espaço (1989). Estréia: Duo
Diálogos (Carlos Tarcha, Joaquim Abreu); Rio de
Janeiro, 1988.
Volume em Sombras, para duo de
percussão, luz, silhueta, movimento, espaço (1989).
Estréia: Duo Diálogos; São Paulo, 1989. Esta
peça possui gravação em vídeo realizada, ao vivo, pela
artista plástica Simone Michelin (1991).
Songs of Oblivion 3, para duo
de percussão, luz estroboscópica, movimento, espaço
(1991). Estréia: Duo Diálogos; Rio de Janeiro,
1991.
Voz:
Às Vezes, para voz feminina,
piano, luz (1977). [Inédita]
Divisor de Águas, para barítono/recitante,
piano, luz, cena (1982). Texto: Antônio Brasileiro.
Estréia: Eládio Perez-Gonzalez (voz), Berenice Menegali
(piano); Rio de Janeiro, 1983.
Lâmina da Voz, para barítono/recitante,
trombone, luz, movimento, cena (1987). Texto: João Cabral
de Melo Neto. Estréia: Eduardo Alvares Guimarães (voz),
Paulo Lacerda (trombone); Festival de Inverno, São João
del Rey/MG,1987.
Brazil S/A Extração de Impostos,
para barítono/narrador/ator, percussão, luz, cena (1989).
Texto: Flávio Rangel. Estréia: Eládio Perez-Gonzalez
(voz), Joaquim Abreu (percussão); Paço Imperial, Rio
de Janeiro, 1989.
Song of Oblivion 6, para voz
feminina, percussão, luz, movimento (1993). [Inédita]
Sopros:
Azul Escuro, para clarineta,
piano, luz, movimento (1976). Estréia: Timothy Paradise
(clarineta), Leighton James (piano); Minneapolis, Minnesota
(EUA) 1979.
Às Voltas, para flauta transversa,
contrabaixo, luz, movimento (1979). Estréia: Charles
Eakins (contrabaixo), Phillip Rousen (flauta); Boulder,
Colorado (EUA), 1979.
Distâncias 1, para 2 flautas,
luz, movimento, espaço (1988). Estréia: Carlos Ratto,
Lélia Brasil; Rio de Janeiro, 1990. (Essa mesma peça
foi também interpretada por 2 conjuntos de flautas transversas,
luz, movimento, espaço: Conjunto de Flautas dos Seminários
de Música Pró-Arte; Rio de Janeiro, 1990.)
Metais:
Grave, para 2 tubas, luz, espaço
(1989). [Inédita]
Em Círculos, para trombone, percussão
luz, movimento, espaço (1989). Estréia: Lulú Pereira
(trombone), Joaquim Abreu (percussão); Rio de Janeiro,
1989.
Cordas:
Tradução 1, para 2 violões, luz,
sombra (1987). Estréia: Duo Barbieri/Schneiter; Rio
de Janeiro, 1987.
Solos
E(s)xtro(A)Versão, para piano,
luz, cena (1981). Estréia: Homero Magalhães; Rio de
Janeiro, 1984.
Sound, para voz feminina, luz,
cena, amplificação, fita gravada (1981). Estréia: Lucilia
Tragtenberg; Rio de Janeiro, 1992. (Possui versão para
Coro à Capela)
Corda Bamba, para barítono, berra-boi,
reco-reco, apito de caça, luz, cena (1983). Estréia:
Eládio Perez-Gonzalez; Belo Horizonte, 1983.
Boca no Trombone, para trombone,
luz, cena, movimento (1990). Estréia: Lulu Pereira;
São Paulo, 1990.
Songs of Oblivion 1, para trombone,
luz, sombra, amplificação (1991). [Inédita]
Peças em fase final de elaboração:
. Canções do Alheamento 7, para
violoncelo amplificado, luz/sombra, movimento.
. Tradução 2, para 2 violões,
luz, movimento.
. Canções dos Dias Vãos 1, para
trio de percussão, flauta transversa, luz, movimento,
espaço.
Gravação de obras:
“Solar Days & Silver Blue Nights”,
fita cassete editada pelo Center for New Music Resources
(Boulder/Colorado, EUA, 1985), contendo as obras: Couro
de Gato, Ambiência 1, Oscilações e
Der Epilog (versão para Coroa Capela).
Textos
(relação seletiva)
“A linguagem musical contemporânea de educação”,
in: III Encontro de Pesquisa em Música, BH:
Imprensa Universitária/UFMG, 1989, pp. 439-443.
“Oficina de Linguagem Musical: Música Brasileira
Atual & Educação Musical”, in: VI Encontro Nacional
da ANPPOM (Anais). RJ: 1993, p. 194 (resumo
de comunicação).
“Hoje - Ontem impregnado do Amanhã”, in: Jornal
da Rio Arte (RJ, 1990).
“Criação, Educação Musical Contemporânea”,
texto apresentado na Semana Internacional de Música
Nova de Curitiba/PR, 1992.
“Oficina de Linguagem Musical: Escrita Musical
- Novas Abordagens”, texto apresentado no Seminário
de Pesquisa em Educação Musical/Pós-Graduação - Conservatório
Brasileiro de Música/RJ 1993.
[Dossiê elaborado por C.Kater]
Songs of Oblivion - 5
“Old age should burn and rage at close of day. Rage,
rage against the dying of the light.” Dylan Thomas
“It's better to burn out than to fade away”
Neil Young
L.C. Csekö
(Rio, 04/92)
OBSERVAÇÕES GERAIS
Os instrumentistas poderão escolher entre três
possibilidades para a sua disposição no palco e a iluminação
para a realização desta obra. O compositor recomenda
enfaticamente a primeira possibilidade.
DISPOSIÇÃO DOS INSTRUMENTISTAS
I) Um percussionista no palco, fora do centro,
perto da cortina. Os dois outros percussionistas se
colocarão, respectivamente, um do lado direito do auditório
e o outro do lado esquerdo, ambos na segunda metade
da sala, onde o palco está situado.
II) Os três percussionistas no palco, muito
próximos um do outro, perto da cortina de fundo.
III) O três percussionistas no palco, o mais
afastado possível um do outro, perto da cortina do fundo.
ILUMINAÇÃO
- Palco e auditório em total escuridão. Os
refletores deverão iluminar as partituras o suficiente
para a leitura, espalhando um mínimo possível de luz.
a) Quatro refletores elipsoidais. Três refletores
com o facho de luz em forma de retângulo, um refletor
com o facho em círculo, diâmetro de 20 a 30 cm. Todos
os refletores com gelatina amarela gema de ovo, escura.
I) Cada refletor com facho retangular estará montado
em um tripé ou estrutura, colocado perto do instrumentista
(à sua direita ou esquerda). O facho de luz deverá estar
paralelo ao chão, quase paralelo à superfície dos teclados,
peles, pratos - levemente tangenciando-os, para
poder iluminar as mãos e antebraços desnudos dos instrumentistas,
evitando iluminar o corpo dos instrumentos e percussionistas,
que ficarão no escuro. O quarto refletor, com foco circular,
será colocado o mais alto possível no teto do teatro,
no lado do palco oposto ao do instrumentista, focando
a extremidade, perto da borda, verticalmente perto do
canto do palco. Três máquinas de fumaça (uma perto de
cada percussionista) deverão produzir fumaça suficiente
(por toda a peça) para delinear nitidamente os fachos
de luz.
II) Quatro refletores elipsoidais, todos com gelatina
amarelo gema de ovo escura; foco circular, diâmetro
de 20 a 30 cm. Todos deverão ser colocados o mais alto
possível no teto do teatro, verticalmente, iluminando
a extremidade do palco do lado da platéia, perto da
borda. Os fachos estarão a uma distância irregular um
do doutro. Duas máquinas de fumaça deverão produzir
fumaça suficiente (por toda a peça) para delinear nitidamente
os fachos de luz e transformá-los em colunas de luz.
b) Três refletores elipsoidais. Dois refletores com
o facho de luz em forma de retângulo, um refletor com
o facho em círculo, diâmetro de 20 a 30 cm. Todos
os refletores com gelatina amarelo gema de ovo, escura.
III) Cada refletor com facho retangular estará
montado em um tripé ou estrutura, colocado perto do
instrumentista, à sua direita. O facho de luz deverá
estar paralelo ao chão, quase paralelo à superfície
dos teclados, peles, pratos - levemente tangenciando-os,
para poder iluminar as mãos e antebraços desnudos dos
instrumentistas, evitando iluminar o corpo dos instrumentos
e percussionistas, que ficarão no escuro. O terceiro
refletor, com foco circular, será colocado o mais alto
possível no teto do teatro, focando a extremidade, perto
da borda, verticalmente perto do canto do palco. Duas
máquinas de fumaça deverão produzir fumaça suficiente
(por toda a peça) para delinear nitidamente os fachos
de luz.
* A seguinte combinação também é possível:
Disposição dos Instrumentistas I e Iluminação II.
VESTUÁRIO
Os percussionistas deverão estar vestidos de preto,
camisas de manga comprida, mangas arregaçadas
até acima do cotovelo, desnudando os antebraços.
MOVIMENTAÇÃO
Os percussionistas deverão manter, sempre que
possível, os antebraços iluminados pelo facho de luz,
para ressaltar a visibilidade dos gestos necessários
para tocar, criando assim um jogo de movimentos.
DURAÇÃO
Circa 5'40”
INSTRUMENTAÇÃO
Percussionista 1: 1 xilofone, 1 caixa-clara,
2 tímpanos, 2 pratos cravejados, 1 agogô, 1 reco-reco
de metal, 1 chocalho de metal, 1 jogo de guizos, 1 vibrafone,
1 apito de caça com som trinado, 1 apito de caça com
som liso, 1 arco de contrabaixo, breu.
Percussionista 2: 1 caixa-clara, 1 tímpano,
2 pratos cravejados, 1 agogô, 1 reco-reco de metal,
1 chocalho de metal, 1 jogo de guizos, 1 vibrafone,
1 apito de caça com som trinado, 1 apito de caça com
som liso, 1 arco de contrabaixo, breu.
Percussionista 3: o mesmo instrumental que
o percussionista 2.
* Chocalhos e guizos com o som o mais metálico
possível.
NOTAÇÃO
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tocar sempre com a baqueta (para
cluster)
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agogô deverá ser tocado sempre
com baqueta de metal ou com cabeça de metal
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arco de contrabaixo (com muita
resina) friccionando a tecla, produzindo
um silvo contínuo. O motor deverá estar
ligado durante toda a peça, em rotação lenta,
sempre com pedal (pedal premido, travado
para facilitar) durante toda a peça. Os
instrumentistas deverão escolher as teclas
que produzam o melhor silvo. Mudar de notas
lentamente (ascendente 3 a 4 notas e descendentemente),
por cada cronometragem de 5”
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a diferença entre RIM SHOT e RIM é
o constraste entre o timbre extremamente
metálico do RIM SHOT contrastando com o
som normal do RIM
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inserir a borda do prato cravejado
na mola do reco-reco de metal. Tocar normalmente
o reco-reco. O som/timbre resultante deverá
ser uma mescla de reco-reco e prato, sem
a predominância do som de nenhum dos dois
instrumentos. O som não deverá ser interrompido,
mantendo-se sempre contínuo
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apito de caça, som trinado
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apito de caça, som liso
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prato cravejado
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vibrafone
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xilofone
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agogô
guizos metálicos
chocalho de metal
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Todos estridentes, metálicos
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caixa-clara
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tímpanos
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Possibilidade I


Possibilidade II

Possibilidade III









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